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Comunidade escolar organiza ato contra remanejamento de professores e possível fim da EJA personalizada em Belém

Ato público em defesa do  Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEEJA) Belém
Ato público em defesa do  Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEEJA) Belém

Alunos e educadores denunciam medidas da Seduc que ameaçam modelo educacional voltado a trabalhadores e adultos historicamente excluídos da escola

 

 

Belém (PA) — A comunidade do Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEEJA) Belém, localizado no bairro de São Brás, realizou nesta sexta-feira (19) um ato público contra o remanejamento considerado arbitrário de professores e o possível fechamento da modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) com ensino personalizado, mantida há mais de quatro décadas na capital paraense.

 

Conhecido historicamente como DESU, o CEEJA Belém atende, há mais de 40 anos, estudantes que não conseguiram concluir a educação básica na idade regular. O diferencial da unidade é o modelo de ensino personalizado, no qual o aluno é o centro do processo pedagógico. As aulas são organizadas por módulos, com acompanhamento individualizado e funcionamento ininterrupto, das 7h30 às 22h30, permitindo que trabalhadores estudem em horários compatíveis com suas rotinas.

 

O perfil dos estudantes reflete a realidade social da modalidade: domésticas, feirantes, vigilantes, trabalhadores autônomos e outros segmentos que tiveram o acesso à educação interrompido não por escolha, mas pelas desigualdades sociais e econômicas. Para eles, a escola representa a possibilidade concreta de ascensão pessoal e profissional.

 

Esse modelo, no entanto, estaria ameaçado por decisões da Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc). Segundo alunos e professores, está em curso um processo de remanejamento abrupto de docentes do CEEJA para outras unidades da rede estadual, o que inviabiliza a continuidade das aulas e sinaliza o encerramento da EJA com ensino personalizado.


VEJA VIDEO DE ESTUDANTES EM ATO PÚBLICO EM DEFESA DO CEEJA

Os impactos já são sentidos pelos estudantes. A aluna Patrícia Rodrigues, que cursa o ensino médio na unidade, relata que foi informada da transferência do professor de Química — disciplina que falta para concluir seus estudos. “Só preciso desse módulo para terminar o ensino médio”, disse, emocionada, após saber que não haverá mais professor disponível.

 

Educadores e representantes da comunidade escolar afirmam que a realocação de professores em pleno ano letivo configura abuso administrativo e contraria a Instrução Normativa de Lotação da própria rede estadual, que estabelece critérios e períodos específicos para esse tipo de procedimento.

 

Diante da situação, alunos, professores e apoiadores organizaram um ato público para denunciar o que classificam como desmonte da EJA personalizada e exigir a suspensão imediata dos remanejamentos. O grupo também cobra a atuação dos órgãos competentes para garantir o cumprimento das normas administrativas e o direito à educação de jovens e adultos.



VEJA VIDEO DE ESTUDANTES EM ATO PÚBLICO EM DEFESA DO CEEJA

Para os manifestantes, o fechamento do CEEJA Belém representaria não apenas o fim de um modelo pedagógico exitoso, mas um retrocesso social, ao excluir novamente da escola trabalhadores que encontraram na EJA uma oportunidade real de concluir sua formação.



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