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Mata Fome acumula promessas, lama e abandono enquanto prefeitura adia obras pela quarta vez em Belém

  • 18 de mai.
  • 3 min de leitura

Moradores da bacia do Mata Fome convivem com alagamentos, isolamento e prejuízos; novo adiamento aprofunda desgaste da gestão Igor Normando (MDB)



Belém, PA - A promessa de início das obras de macrodrenagem na bacia do Mata Fome, em Belém, voltou a ser adiada.


Pela quarta vez consecutiva, a gestão do prefeito Igor Normando (MDB) posterga o começo de intervenções anunciadas como urgentes para uma das áreas mais castigadas por alagamentos crônicos na capital paraense.


Enquanto a prefeitura renova cronogramas e discursos, moradores seguem enfrentando lama, ruas destruídas, isolamento e prejuízos materiais.


A situação expõe um contraste cada vez mais evidente entre o discurso institucional e a realidade vivida por milhares de famílias dos bairros Tapanã, Pratinha, Parque Verde e Cabanagem, diretamente impactadas pela precariedade histórica da infraestrutura urbana.


Segundo relatos de moradores enviados ao Canal Repórter Cidadão do Portal Info.Revolução, a expectativa criada a partir de sucessivos anúncios oficiais tem se convertido em descrença.


A chamada Ordem de Serviço Imediata, anunciada pela prefeitura como marco para o início das obras, tornou-se mais um capítulo de uma sequência de promessas não cumpridas.

Em novembro de 2024, Igor Normando divulgou em suas redes sociais que havia “destravado” recursos para a macrodrenagem da bacia do Mata Fome. Meses depois, após fortes chuvas atingirem Belém e ampliarem os transtornos nas comunidades, a prefeitura voltou a anunciar providências emergenciais e novas etapas de intervenção.

Na prática, porém, as obras seguem fora do papel.

População isolada
Mata Fome - Imagens: Adriano Nascimento Especial para o Liberal
Mata Fome - Imagens: Adriano Nascimento Especial para o Liberal

A rotina nas áreas afetadas é marcada por dificuldades de mobilidade, risco sanitário e insegurança estrutural.


Pontes improvisadas, vias destruídas e acúmulo de água transformaram a circulação cotidiana em desafio permanente.


Moradores relatam que, em muitos trechos, idosos, crianças e trabalhadores enfrentam obstáculos diários para sair de casa, acessar serviços básicos ou simplesmente se deslocar.


Além dos transtornos urbanos, há o impacto econômico direto: perdas de móveis, eletrodomésticos e danos às residências se acumulam a cada novo período de chuvas intensas.

Gestão sob pressão

O novo adiamento aprofunda o desgaste político da prefeitura, especialmente diante de um cenário em que a população já cobra respostas concretas após repetidas promessas públicas.


A crise da infraestrutura urbana se soma a outros focos de desgaste da gestão municipal, como denúncias envolvendo a saúde pública, atraso em serviços essenciais e críticas à capacidade de resposta diante de emergências climáticas.


Para especialistas em planejamento urbano ouvidos pelo Portal Info.Revolução, obras estruturantes, como sistemas de drenagem, exigem planejamento técnico, previsibilidade orçamentária e transparência — elementos que, segundo críticos da gestão, ainda não se materializaram no caso da bacia do Mata Fome.

O que está em jogo

A bacia do Mata Fome concentra uma das situações urbanas mais sensíveis da periferia de Belém. Sem intervenções efetivas, o risco é de agravamento do quadro com a continuidade do período chuvoso.


Para os moradores, a equação é simples: enquanto a burocracia e os anúncios se repetem, o abandono permanece.


Na Belém real, a água continua chegando antes do poder público. Enquanto isso, vídeos institucionais insistem em divulgar, nas redes sociais, uma realidade paralela de uma cidade que parece existir apenas em uma ilha da fantasia criada pela gestão municipal.




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