Menos trabalho, mais vida: negociações coletivas avançam na redução da jornada sem corte de salários
- 31 de mai.
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Atualizado: 1 de jun.
Enquanto parte do empresariado insiste em defender jornadas exaustivas e a manutenção da escala 6x1, sindicatos de diversas categorias pelo país vêm conquistando, por meio da negociação coletiva, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial. A informação faz parte do caderno “Boas Práticas em Negociações nº 18”, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pelo DIEESE.

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O levantamento reúne exemplos concretos de acordos e convenções coletivas firmados entre 2024 e 2025 em diferentes regiões do Brasil, demonstrando que a redução para 40 horas semanais já é uma realidade em diversos setores da economia.
A publicação destaca que a luta pela diminuição da jornada representa mais do que uma pauta econômica: trata-se de uma disputa por qualidade de vida, saúde mental, convivência familiar e direito ao descanso. Segundo o documento, a redução da carga horária “permite ao trabalhador ampliar seu convívio familiar, priorizar momentos de descanso e lazer e se dedicar aos estudos”.
Apesar disso, o próprio estudo revela o tamanho do desafio enfrentado pelas entidades sindicais. Hoje, cláusulas que limitam a jornada a 40 horas semanais representam apenas cerca de 3% das negociações registradas no Sistema Mediador do MTE.
Entre os exemplos citados estão acordos firmados nos setores metalúrgico, comércio, energia elétrica, cooperativas de crédito, processamento de dados, saneamento, cultura, entidades sindicais e assistência social. Em todos os casos, as cláusulas asseguram redução da jornada sem qualquer diminuição salarial.
No Paraná, trabalhadores da indústria metalúrgica conquistaram a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais. Em São Paulo, empregados do comércio passaram de 220 para 200 horas mensais sem perdas salariais. Já no Pará, trabalhadores do setor de difusão cultural garantiram jornada máxima de 40 horas semanais de segunda a sexta-feira.
Os dados desmontam o discurso patronal de que reduzir jornada significaria inviabilizar empresas ou provocar colapso econômico. Na prática, as experiências mostram que a reorganização da produção é possível quando há pressão sindical e negociação coletiva forte.
A discussão ganha ainda mais relevância diante do crescimento das mobilizações nacionais pelo fim da escala 6x1 — modelo considerado por especialistas e trabalhadores como um dos principais fatores de adoecimento físico e mental da classe trabalhadora brasileira.
Ao final do documento, o DIEESE reforça que a negociação coletiva é uma ferramenta fundamental para construir “um mercado de trabalho mais justo e sustentável”, destacando que crescimento econômico sem ampliação de direitos apenas aprofunda desigualdades sociais.
A redução da jornada sem redução de salários, antes tratada como utopia por setores conservadores, começa a surgir nas mesas de negociação como uma necessidade concreta diante da precarização crescente do trabalho no país.
(Matéria em atualização)
Douglas Diniz Lima Fernandes é jornalista, editor do Portal Info.Revolução e colunista dedicado à análise de política, trabalho, direitos sociais e movimentos populares na Amazônia.
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