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PRAÇA DOROTHY STANG RECEBE BELÉM RADICAL EM MOBILIZAÇÃO PELA PRESERVAÇÃO DO ESPAÇO PÚBLICO

18 de set.
3 min de leitura

Evento reúne BMX, skate, patins street e hóquei neste domingo (20) e transforma esporte em ato de defesa da praça; moradores questionam implantação de policlínica no local sem consulta pública prévia


Imagem: Redes Sociais
Imagem: Redes Sociais

BELÉM (PA) — A Praça Dorothy Stang, no bairro da Sacramenta, recebe neste domingo (20) o The Best Trick Belém Radical, evento promovido pela Associação de Esportes Radicais e Afins (AEERA) que reunirá praticantes de BMX, skate, patins street e hóquei. Para além das competições, a programação assume caráter de mobilização pela preservação da praça como espaço público de esporte, cultura, lazer e convivência comunitária.


A atividade ocorre em meio à disputa sobre o futuro da Dorothy Stang. Moradores e frequentadores questionam a implantação de uma policlínica municipal em parte da área e afirmam que a intervenção avançou sem consulta pública prévia à comunidade. A mobilização não se coloca contra a ampliação dos serviços públicos de saúde, mas reivindica que outras alternativas de localização sejam discutidas e que a população participe das decisões sobre a praça.


A Prefeitura de Belém confirma que a Praça Dorothy Stang foi escolhida para receber a nova policlínica. Segundo a gestão municipal, a unidade deverá oferecer mais de 20 especialidades, além de exames de diagnóstico por imagem, e tem como objetivo ampliar a assistência especializada e reduzir a pressão sobre os serviços de urgência e emergência da capital.


O empreendimento integra investimentos na saúde pública e tem contrato de aproximadamente R$ 17,27 milhões, segundo informações divulgadas sobre a contratação da obra. A necessidade de ampliar a rede de saúde, porém, não encerra a controvérsia. Para moradores mobilizados, a discussão central é se um novo equipamento público precisa ocupar uma área já consolidada para esporte, cultura, lazer e convivência quando poderiam ser estudadas outras alternativas.


ESPORTE TAMBÉM FAZ PARTE DA HISTÓRIA DA PRAÇA



Imagem: Redes Sociais
Imagem: Redes Sociais

A relação da Dorothy Stang com os esportes radicais não é recente. Estudo acadêmico sobre bicicross, patinação radical e skate em Belém registra a praça entre os espaços conquistados a partir da mobilização de praticantes dessas modalidades na capital. A pesquisa destaca a importância de equipamentos como a Dorothy Stang para modalidades que historicamente enfrentaram carência de espaços adequados na cidade.


É nesse contexto que o The Best Trick Belém Radical ganha dimensão que ultrapassa a disputa esportiva. A ocupação da praça por atletas, jovens, famílias e comunidade procura reafirmar, segundo os organizadores, que o espaço cumpre uma função social e deve permanecer acessível à população.


A programação também prevê ações de inclusão de pessoas com deficiência, reforçando a proposta de utilização do esporte como instrumento de integração social.


SAÚDE E PRAÇA NÃO PRECISAM SER DIREITOS OPOSTOS


Imagem: Redes Sociais
Imagem: Redes Sociais

A mobilização coloca no centro do debate uma questão de planejamento urbano: a ampliação da saúde pública precisa necessariamente significar a redução de um espaço público já utilizado pela comunidade?


Moradores organizados em defesa da Dorothy Stang sustentam que não. O movimento cobra transparência, consulta pública e apresentação de alternativas para implantação da policlínica. Reportagens sobre a mobilização registram que a comunidade reconhece a importância do novo equipamento de saúde, mas questiona a escolha da praça sem um processo prévio de participação popular.


A própria utilização recorrente da Dorothy Stang demonstra sua função comunitária. Além das práticas esportivas, o espaço já recebeu atividades culturais, festas populares e ações promovidas pelo próprio poder público. Em junho deste ano, por exemplo, a Prefeitura incluiu a praça na programação oficial do Arraial de Belém.


No domingo, será a vez de bicicletas, skates, patins e atletas voltarem a ocupar o espaço.


Para a AEERA e os participantes da mobilização, o Belém Radical pretende mostrar que a Dorothy Stang não é apenas uma área disponível no mapa urbano. É um território de convivência, esporte e cultura construído também pela presença cotidiana da comunidade.


A disputa em torno da praça coloca, portanto, dois direitos públicos no debate. De um lado, a necessidade de ampliar o acesso à saúde. De outro, o direito da população ao esporte, ao lazer, à cultura, às áreas de convivência e à participação nas decisões sobre os espaços da cidade.


O desafio colocado ao poder público é demonstrar que construir uma política pública não precisa significar eliminar outra.


(Matéria em atualização)

 

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