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ALESSANDRA MUNDURUKU RELATA VIOLÊNCIA DE SEGURANÇAS AO TENTAR ENTREGAR CARTA A LULA EM BELÉM

há 12 minutos
3 min de leitura

Candidata a Deputada Federal afirma ter sido impedida de se aproximar do presidente durante ato na Praça da República; documento indígena cobrava compromissos contra garimpo, a não implantação da Ferrogrão e mudanças em área protegida da Floresta do Jamanxim


LIderança Indigena Alesandra Korap Munduruku é reconhecida mundialmente por sua luta em defesa da Amazonia, dos territórios indigenas pela vida das mulheres das cidades, do campo, dos reios e da floresta. - Imagem: Info.Revolução
LIderança Indigena Alesandra Korap Munduruku é reconhecida mundialmente por sua luta em defesa da Amazonia, dos territórios indigenas pela vida das mulheres das cidades, do campo, dos reios e da floresta. - Imagem: Info.Revolução

BELÉM (PA) — A liderança indígena e candidata a deputada Alessandra Munduruku afirma ter sido retirada de forma truculenta pela segurança do ato político do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado em Belém. Segundo Alessandra, ela tentava se aproximar do presidente para entregar uma carta com reivindicações dos povos indígenas da Amazônia.


Um vídeo ao qual a Redação do Portal Info.Revolução teve acesso registra momentos de tensão envolvendo Alessandra e integrantes da segurança do evento eleitoral.

ASSISTA AO VÍDEO DO MOMENTO DO ENFRENTAMENTO ENTRE ALESSANDRA MUNDURUKU E SEGURANÇAS DO EVENTO


“Lamentável o que ocorreu. Estou toda dolorida, machucada. Foi uma truculência enorme por parte da segurança dos organizadores do evento”, afirmou Alessandra Munduruku à reportagem. A liderança não atribuiu ao presidente Lula responsabilidade pessoal pelo episódio.

O caso contrasta com um dos principais temas abordados no próprio ato: a defesa da Amazônia e dos povos que vivem na região.


Carta indígena buscava compromissos


Segundo Alessandra, a intenção era entregar diretamente ao presidente uma carta-compromisso dos povos indígenas. Entre as reivindicações apresentadas estavam a oposição a alterações que reduzam áreas protegidas na região do Jamanxim, críticas à Ferrogrão e a cobrança de ações efetivas contra o garimpo ilegal em terras indígenas.


Uma das preocupações centrais é a situação do Território Munduruku, atingido pela contaminação por mercúrio associada à atividade garimpeira.

O problema não se restringe à denúncia política. Pesquisas da Fiocruz apontam evidências científicas de exposição ao mercúrio entre indígenas Munduruku. Documento publicado pela instituição registra que no Médio Tapajós, 62% das mulheres entre 12 e 49 anos avaliadas apresentaram níveis de mercúrio no cabelo superiores a 5,9 µg/g.

É justamente diante dessa realidade que Alessandra pretendia levar as reivindicações diretamente ao candidato.


Amazônia ocupou espaço no discurso de Lula


A passagem de Lula por Belém ocorreu na reta final da campanha presidencial. No palanque montado na Praça da República, o presidente tratou de temas nacionais e regionais, enquanto aliados defenderam sua candidatura diante da disputa eleitoral com Flávio Bolsonaro (PL).


O evento também abordou questões religiosas, sociais e ambientais. Em seu discurso, Lula reafirmou posição contrária à dragagem do rio Tapajós. A declaração foi registrada pela imprensa paraense durante a passagem do presidente pelo Pará.


Lula também discursou sobre tolerância religiosa. Em meio à recente controvérsia envolvendo a imagem de Nossa Senhora Aparecida, defendeu respeito às diferentes religiões, incluindo as de matriz africana.


A estimativa de mais de 100 mil participantes, mencionada pelos organizadores e repassada à reportagem, deve ser entendida como número atribuído à organização do ato, e não como contagem independente do Portal Info.Revolução.


Quem fala pela Amazônia?


O episódio envolvendo Alessandra coloca uma questão política no centro do debate: não basta falar sobre os povos indígenas; é necessário garantir que suas próprias lideranças possam falar e apresentar diretamente suas reivindicações.


Alessandra sustenta que buscava justamente ocupar esse espaço. Sua crítica é que indígenas não deveriam permanecer apenas na condição de tema dos discursos de candidatos e autoridades não indígenas quando possuem suas próprias organizações, lideranças e reivindicações.


Nesse sentido, o contraste é evidente: enquanto a Amazônia ocupava espaço privilegiado nos discursos do palanque, uma liderança Munduruku afirma ter encontrado uma barreira física quando tentou levar pessoalmente ao candidato reivindicações de seu povo.


Isso não permite concluir, sem outros elementos, que tenha existido determinação política para impedir Alessandra de chegar a Lula. Mas o relato, as imagens e a alegação de que ela sofreu ferimentos exigem esclarecimentos dos responsáveis pela organização e pela segurança do evento.


É preciso explicar quem realizou a abordagem, quais protocolos foram adotados, por que Alessandra foi impedida de avançar e se havia procedimento disponível para que representantes indígenas entregassem documentos ao presidente.


Para quem pretende colocar a Amazônia no centro do projeto político nacional, ouvir diretamente seus povos não pode ser tratado como detalhe de protocolo.

A floresta não fala sozinha. Os povos que vivem nela têm voz, reivindicações e o direito de serem ouvidos.


(Matéria em atualização)

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