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Cesta básica sobe em Belém e consome quase metade do salário mínimo; pressão sobre renda expõe crise do custo de vida

  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Alta dos alimentos em abril amplia aperto sobre trabalhadores da capital paraense; feijão dispara 50% em 12 meses e salário mínimo necessário no país já deveria ultrapassar R$ 7,6 mil


Imagem: Redes Sociais
Imagem: Redes Sociais

 

BELÉM (PA) — O aumento no custo da alimentação voltou a pressionar o orçamento das famílias trabalhadoras em Belém. Dados da análise mensal da cesta básica divulgada pelo DIEESE em parceria com a Conab mostram que o valor do conjunto de alimentos essenciais na capital paraense subiu 3,86% em abril, alcançando R$ 727,70, o que compromete 48,53% da renda líquida de um trabalhador remunerado com salário mínimo. Para adquirir apenas os itens básicos de alimentação, um trabalhador em Belém precisou dedicar 98 horas e 46 minutos de trabalho no mês.

 

O avanço dos preços em Belém acompanha uma tendência nacional preocupante: as 27 capitais brasileiras registraram aumento da cesta básica pelo segundo mês consecutivo, segundo o levantamento. No cenário nacional, o DIEESE estima que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.612,49, quase cinco vezes acima do piso oficial de R$ 1.621. O dado escancara a distância entre o discurso oficial de recuperação econômica e a realidade concreta enfrentada pela classe trabalhadora nas filas do supermercado.

 

Na capital paraense, alguns alimentos se tornaram símbolos do aperto no bolso. O feijão carioca acumula alta de 50% em 12 meses, enquanto o tomate subiu 14,41% apenas entre março e abril, com alta acumulada de 43,25% no ano. A carne bovina também segue pressionando o orçamento popular. Embora alguns itens tenham apresentado queda no período, o movimento geral confirma um cenário de corrosão persistente do poder de compra.

 

Mais do que estatística econômica, os números traduzem um problema social e político: enquanto salários seguem comprimidos, alimentação básica se aproxima cada vez mais de artigo de luxo para milhões de brasileiros. Em Belém, onde a desigualdade social historicamente pesa sobre a maioria da população, a conta do supermercado virou mais um retrato da crise silenciosa vivida pelas famílias trabalhadoras.

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