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Coluna do Cão Chupando Manga: DISCURSO VERDE, ENTREGA EXPRESSA

  • 25 de mai.
  • 6 min de leitura
GREEN CARD? AGORA É NO MODO ‘VOLTA PRA CASA E TENTA DE NOVO’”

O governo Trump resolveu inovar no conceito de burocracia internacional: quer green card? Ótimo. Agora, em muitos casos, a pessoa terá que sair dos Estados Unidos, voltar ao país de origem e pedir de lá. Porque aparentemente imigração legal estava prática demais.

 

A justificativa oficial fala em “organização” e “controle”. O Cão Chupando Manga traduz: mais uma temporada do reality show “sobreviva ao labirinto migratório”. 

Famílias separadas, processos travados e insegurança jurídica entram como bônus da experiência premium.

 

No fim, a velha mensagem parece a mesma: se até seguir a regra virou obstáculo olímpico, talvez o problema nunca tenha sido a fila — mas quem está tentando entrar nela.

 

CPI DO BANCO MASTER: A GUERRA PELO MICROFONE
Imagem montagem: Info.Revolução
Imagem montagem: Info.Revolução

Em Brasília, a possível CPI do Banco Master já nasce com cara de reality show parlamentar. Com sete iniciativas de investigação circulando pelo Congresso, o debate parece menos sobre esclarecer fatos e mais sobre decidir quem segura o microfone, comanda a narrativa e transforma a crise em palanque eleitoral.

 

A súbita paixão de deputados e senadores pela transparência comove. Afinal, quando o assunto envolve escândalo financeiro, a regra em Brasília costuma variar entre investigar seletivamente ou empurrar tudo para debaixo do tapete institucional. Desta vez, porém, o que se disputa não é apenas a investigação — é o direito de narrar o escândalo primeiro.

 

Enquanto oposição e governistas travam a batalha das versões, o contribuinte assiste ao velho roteiro nacional: muita indignação, entrevistas inflamadas e guerra de bastidores.

 

Vai ter investigação de verdade ou só mais um campeonato oficial de hipocrisia política?


BRASÍLIA EM PÂNICO: E SE O TRABALHADOR TIVER TEMPO PRA VIVER?

Quando a classe trabalhadora começa a sonhar com o fim da escala 6x1 e com a redução da jornada de trabalho, Brasília mostra que continua funcionando em ritmo acelerado… para defender os interesses de sempre.

 

Nos bastidores do Congresso, cresce a movimentação para desidratar, mutilar, recortar, maquiar ou simplesmente transformar em peça decorativa as PECs que tratam do tema — justamente pautas que contam com amplo apoio popular. Afinal, aparentemente, trabalhar menos para viver melhor ainda assusta mais do que privilégios eternos em ar-condicionado parlamentar.

 

Quando a pauta é direito da classe trabalhadora, o sistema sempre aparece com tesoura na mão. 


FAXINA PREMIUM: R$ 25 MILHÕES PRA LIMPAR... MAS O TCM ACHOU SUJEIRA
Escola Municipal de Belém-PA - Imagem: Redes Sociais
Escola Municipal de Belém-PA - Imagem: Redes Sociais

Belém definitivamente entrou na era da inovação administrativa. Agora temos o conceito revolucionário de limpeza milionária com transparência opcional.

 

O Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) resolveu apertar o freio e suspendeu os pagamentos de um contrato de quase R$ 25 milhões da SEMEC para limpeza das escolas municipais, após encontrar um pequeno combo de problemas: suspeita de sobrepreço, falhas no planejamento, fiscalização nebulosa e documentação sumida no rolê burocrático.

 

O mais curioso? Enquanto crianças estudam em escolas com infiltração, improviso e precariedade, a prefeitura conseguiu produzir uma faxina tão sofisticada que nem o Tribunal conseguiu entender direito como funcionaria.

 

Era contrato de limpeza ou higienização premium com aromatizador francês?

 

DISCURSO VERDE, ENTREGA EXPRESSA

Na COP 30, pose de defensor da Amazônia. Em Brasília, articulação para entregar pedaços da floresta ao agronegócio. A política amazônica definitivamente entrou na era do ambientalismo de vitrine.

 

O ex-governador Helder Barbalho (MDB) e pré-candidato ao Senado, teria atuado diretamente na aprovação do projeto que beneficia a Ferrogrão, enfraquece a proteção da Floresta Nacional do Jamanxim e ainda abre espaço para premiar velhos conhecidos da especulação fundiária.

 

O agradecimento público vindo da Câmara ajudou a desmontar o roteiro da sustentabilidade, cuja frase de efeito se resumia ao famosa “floresta em pé”.

 

Perguntar não ofende: a Amazônia era patrimônio ambiental ou ativo logístico à pronta entrega para quem anda de bota cara e planilha de exportação?


O EMPREGO ESTAVA CHEGANDO… SÓ NÃO ACHOU O PARÁ

Durante anos, o ex-governador Helder Barbalho (MDB) repetiu que o Pará era terra de oportunidades e geração de empregos. Pois os números resolveram estragar a propaganda: o estado agora se destaca no ranking do desalento — quando a pessoa desiste até de procurar trabalho porque perdeu a esperança.

 

O Pará concentra quase 60% de todas as pessoas desalentadas da Região Norte. Enquanto minério, riqueza e energia saem daqui a todo vapor, sobra para o povo currículo na mão, conta atrasada e a sensação de que o emprego prometido pegou o caminho errado.

 

O emprego que diziam estar chegando se perdeu no meio da propaganda oficial ou nunca saiu do PowerPoint?

 

ÔNIBUS SUMIU, MAS A PASSAGEM SEGUE FIRME NO ITINERÁRIO

Em Belém, o transporte público resolveu inovar: se o ônibus não passa, pelo menos a crise passa na televisão. Agora, diante da greve da empresa Monte Cristo, a patronal do transporte descobriu a velha desculpa gourmet: “crise financeira no sistema.”

 

O curioso é que a tal crise quase sempre aparece para justificar ônibus quebrado, demora, greve, sufoco nos terminais e aperto da população trabalhadora. Mas quando o assunto é lucro empresarial, subsídio público ou reajuste tarifário, o silêncio pega o coletivo expresso. Já a Prefeitura aparece com a tradicional performance de espectadora institucional da própria tragédia urbana.

 

Se o sistema está quebrado, por que quem sempre paga a conta é o passageiro espremido no ponto, e nunca a turma engravatada da planilha do transporte?

  

BELÉM DESCOBRE QUE ÁRVORE DÁ MENOS CALOR QUE CONCRETO. CIÊNCIA EM CHOQUE
Paque linear Ariri Bolonha - Crédito: Luiz Dias
Paque linear Ariri Bolonha - Crédito: Luiz Dias

Depois de décadas tratando mata como obstáculo ao progresso imobiliário, Belém aparentemente teve uma revelação ambiental digna de documentário: árvores ajudam a refrescar a cidade.

 

Agora surge a discussão sobre transformar o Parque Ariri em área de proteção ambiental, depois que concreto, especulação urbana e ocupação desordenada fizeram o favor de transformar boa parte da cidade numa frigideira amazônica. A prefeitura apareceu no debate e moradores fizeram o que o poder público costuma esquecer: defender o território.

 

Pergunta ecológica da semana para a Prefeitura de Belém: vão proteger a mata de verdade ou esse é apenas mais um projeto bonito, até aparecer algum empreendedor com uma maquete na mão e um sorriso institucional no rosto?

 

SE A ÁGUA SUBIR, CONSULTA O WHATSAPP DA PREFEITURA

Em um movimento ousado contra o excesso de ciência, o prefeito Igor Normando resolveu “modernizar” a gestão de riscos em Belém: retirou do Comitê de Desastres a UFPA, o Serviço Geológico e a sociedade civil. Porque, aparentemente, diante de alagamentos, mudanças climáticas e caos urbano, conhecimento técnico e participação popular estavam atrapalhando.

 

Agora o debate sobre riscos e desastres fica mais enxuto, mais prático e, quem sabe, mais alinhado ao método administrativo do “vamos vendo no que dá”. Afinal, quem melhor para discutir enchentes em Belém: cientistas que estudam o tema há décadas ou gabinetes climatizados com planilhas otimistas e gente que jamais descuida do gel no cabelo?

 

Quando cair a próxima chuva e a cidade alagar, especialistas talvez já não sejam mais ouvidos. Pelo visto, o plano é o prefeito Igor Normando pedir opinião no grupo de WhatsApp da Prefeitura.

 

COLETA SELETIVA: O LIXO SAI, O CONTRATO ENTRA

Tem político que, quando está de saída, deixa legado. Outros deixam... contratos milionários.

 

Segundo denúncia publicada em jornal de grande circulação, o ex-prefeito de Ananindeua teria assinado R$ 113 milhões em contratos com empresa ligada a aliado político pouco antes de deixar o cargo. Porque aparentemente, para alguns gestores, despedida elegante não é entregar chave da prefeitura — é entregar contrato com laço e fita.

 

Na política paraense, às vezes a coleta de lixo parece funcionar mais rápido que a coleta de explicações.


 

 

 

 

 

 

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