Indígenas bloqueiam Estrada de Ferro Carajás e denunciam impactos ambientais de obras da Vale no Pará
- 15 de mar.
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Lideranças indígenas bloquearam a Estrada de Ferro Carajás, no sudeste do Pará, em protesto contra impactos ambientais atribuídos às obras de duplicação da ferrovia operada pela mineradora Vale. A mobilização, iniciada na noite de sexta-feira (13), suspendeu a circulação de trens de passageiros e de cargas e permanece sem previsão de liberação.
A interdição ocorreu no município de Bom Jesus do Tocantins e foi organizada por cerca de 49 lideranças do povo Gavião, que vivem na Terra Indígena Mãe Maria. Os indígenas afirmam que a duplicação da ferrovia tem provocado impactos ambientais nos rios que atravessam o território, incluindo alterações na qualidade da água utilizada pelas comunidades.
Segundo as lideranças, o bloqueio busca pressionar a empresa e as autoridades a responderem às denúncias feitas pelas comunidades sobre os efeitos das obras na região.

Ferrovia parada
Por causa do protesto, a circulação do Trem de Passageiros da Estrada de Ferro Carajás foi suspensa neste fim de semana.
A mineradora Vale informou que os passageiros afetados poderão solicitar remarcação ou reembolso das passagens.
Até a manhã deste sábado (14), porém, não havia previsão para a normalização da linha férrea.
Território indígena no centro da disputa
A Terra Indígena Mãe Maria possui cerca de 62 mil hectares e abriga aproximadamente 1,3 mil indígenas, pertencentes a diferentes grupos do povo Gavião, entre eles Parkatêjê, Kyikatêjê e Akrãtikatêjê.
O território é cortado pela Estrada de Ferro Carajás, corredor logístico fundamental para o transporte de minério extraído na região de Carajás até portos no Maranhão.
Nos últimos anos, lideranças indígenas têm denunciado que a ampliação da ferrovia e o aumento do fluxo de trens provocam impactos ambientais e sociais nas comunidades.
Entre as preocupações relatadas estão:
possível contaminação de rios utilizados pelas aldeias;
alterações na qualidade da água consumida pelas comunidades;
riscos à saúde da população indígena;
impactos ambientais associados à duplicação da ferrovia.
Disputa judicial sobre licenciamento
A situação também envolve questionamentos na Justiça. Uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Federal contesta a operação da segunda linha da ferrovia dentro da Terra Indígena Mãe Maria.
A ação aponta possíveis irregularidades no licenciamento ambiental, incluindo a ausência de etapas consideradas essenciais do processo de licenciamento e a falta de realização da Consulta Livre, Prévia e Informada, prevista na Convenção 169 da OIT.
Segundo o MPF, a ampliação da ferrovia deveria ter sido precedida de diálogo formal com as comunidades indígenas afetadas.

Protesto reacende conflito histórico
O novo bloqueio ocorre em meio a um histórico de tensões entre comunidades indígenas e a mineradora Vale na região sudeste do Pará. Ao longo dos últimos anos, diferentes mobilizações já foram realizadas para denunciar impactos ambientais e exigir compensações às populações indígenas.
Organizações indígenas e entidades de apoio aos povos originários afirmam que o protesto expressa uma preocupação crescente das comunidades com a preservação dos rios, do território e da saúde das aldeias.
Enquanto o impasse não é resolvido, os trilhos da Estrada de Ferro Carajás seguem bloqueados — símbolo de um conflito que envolve mineração, direitos indígenas e a disputa pelo futuro da Amazônia oriental.
Matéria em atualização

















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