Professora denuncia perseguição política após demissão na Prefeitura de Tailândia (PA)
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Servidora afirma que exoneração ocorreu após denúncias de irregularidades na rede municipal de ensino
Por Douglas Diniz – Repórter Sem Fronteiras (RSF)
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Tailândia (PA) – A professora Maria Luísa Ferreira Farias tornou pública, nesta semana, uma denúncia de perseguição política e assédio moral após ser demitida pela Prefeitura de Tailândia, no sudeste do Pará. A exoneração, formalizada por meio das portarias nº 081/2026 e 082/2026, resultou no desligamento da servidora de seus dois vínculos como professora de Língua Portuguesa na rede municipal.
Segundo a educadora, a decisão ocorreu após anos de conflitos com a gestão da Secretaria Municipal de Educação (Semed), motivados por denúncias feitas por ela sobre irregularidades em escolas e cobrança por melhores condições de trabalho. A servidora afirma que a medida é “injusta e covarde” e que pretende contestá-la judicialmente.
Histórico de conflitos e denúncias
De acordo com o relato, os episódios de tensão tiveram início em 2017 e se intensificaram nos últimos anos, especialmente após sua atuação em conselhos educacionais e no sindicato da categoria. Entre as situações citadas, está a denúncia de suposta troca de alimentos por pontuação escolar, além de críticas à infraestrutura precária das unidades de ensino.
A professora relata que, após essas denúncias, passou a sofrer medidas administrativas consideradas por ela como punitivas, incluindo tentativas de redução de carga horária, remoções entre escolas e avaliações de desempenho negativas. Também afirma ter sido alvo de acusações sem comprovação formal.
Processos administrativos e afastamentos
A demissão foi precedida pela abertura de processos administrativos disciplinares (PADs), que, segundo a servidora, teriam sido instaurados sem que ela fosse previamente ouvida ou tivesse acesso completo às acusações.
Ela também questiona a condução dos procedimentos, alegando inconsistências nas denúncias e ausência de participação de pais ou responsáveis nas apurações. A professora afirma ainda que foi convocada para audiências durante períodos de férias e afastamentos médicos, o que teria agravado seu quadro de saúde.
Alegações de assédio moral
A educadora sustenta que foi vítima de episódios de constrangimento no ambiente escolar, incluindo situações de exposição pública e conflitos com a coordenação pedagógica. Segundo o relato, os episódios teriam contribuído para o desenvolvimento de problemas de saúde, diagnosticados por profissionais médicos como decorrentes de estresse prolongado.
Durante o período em que esteve afastada, afirma ter recebido novas notificações de processos administrativos, além de afastamentos preventivos do trabalho, o que, segundo ela, intensificou o quadro de desgaste emocional.
Atuação profissional e reivindicações
Com cerca de 19 anos de atuação no magistério municipal, a professora destaca que sempre participou de projetos educacionais, atividades sindicais e ações em defesa de melhorias na rede pública.
Entre as reivindicações feitas ao longo de sua atuação, estão a ampliação de infraestrutura escolar, contratação de cuidadores para alunos com deficiência, melhorias na merenda escolar e condições adequadas para funcionamento de escolas em tempo integral.
A servidora também afirma que algumas das demandas apresentadas resultaram em mudanças, como a criação de um anexo escolar e melhorias estruturais em unidades de ensino.
Contestação e desdobramentos
Maria Luísa Ferreira Farias declara que irá recorrer da decisão na Justiça e buscar a revisão de sua demissão. A professora afirma que continuará atuando em iniciativas educacionais e sociais, incluindo projetos voltados à formação de estudantes e inclusão.
Até o momento, a Prefeitura de Tailândia e a Secretaria Municipal de Educação não se manifestaram publicamente sobre as acusações.
Contexto mais amplo
O caso ocorre em um cenário de recorrentes denúncias de assédio moral e conflitos administrativos em redes municipais de ensino, especialmente envolvendo servidores que atuam em espaços de controle social e fiscalização.
Especialistas apontam que a transparência na condução de processos administrativos e o direito à ampla defesa são princípios fundamentais para garantir segurança jurídica e evitar conflitos dessa natureza.
O espaço segue aberto para manifestação da Prefeitura de Tailândia e da Secretaria Municipal de Educação.
(Matéria em atualização)















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