top of page

Professora denuncia perseguição política após demissão na Prefeitura de Tailândia (PA)

  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

Servidora afirma que exoneração ocorreu após denúncias de irregularidades na rede municipal de ensino


Por Douglas Diniz – Repórter Sem Fronteiras (RSF)


Tailândia (PA) – A professora Maria Luísa Ferreira Farias tornou pública, nesta semana, uma denúncia de perseguição política e assédio moral após ser demitida pela Prefeitura de Tailândia, no sudeste do Pará. A exoneração, formalizada por meio das portarias nº 081/2026 e 082/2026, resultou no desligamento da servidora de seus dois vínculos como professora de Língua Portuguesa na rede municipal.


Segundo a educadora, a decisão ocorreu após anos de conflitos com a gestão da Secretaria Municipal de Educação (Semed), motivados por denúncias feitas por ela sobre irregularidades em escolas e cobrança por melhores condições de trabalho. A servidora afirma que a medida é “injusta e covarde” e que pretende contestá-la judicialmente.


Histórico de conflitos e denúncias


De acordo com o relato, os episódios de tensão tiveram início em 2017 e se intensificaram nos últimos anos, especialmente após sua atuação em conselhos educacionais e no sindicato da categoria. Entre as situações citadas, está a denúncia de suposta troca de alimentos por pontuação escolar, além de críticas à infraestrutura precária das unidades de ensino.


A professora relata que, após essas denúncias, passou a sofrer medidas administrativas consideradas por ela como punitivas, incluindo tentativas de redução de carga horária, remoções entre escolas e avaliações de desempenho negativas. Também afirma ter sido alvo de acusações sem comprovação formal.


Processos administrativos e afastamentos


A demissão foi precedida pela abertura de processos administrativos disciplinares (PADs), que, segundo a servidora, teriam sido instaurados sem que ela fosse previamente ouvida ou tivesse acesso completo às acusações.


Ela também questiona a condução dos procedimentos, alegando inconsistências nas denúncias e ausência de participação de pais ou responsáveis nas apurações. A professora afirma ainda que foi convocada para audiências durante períodos de férias e afastamentos médicos, o que teria agravado seu quadro de saúde.


Alegações de assédio moral


A educadora sustenta que foi vítima de episódios de constrangimento no ambiente escolar, incluindo situações de exposição pública e conflitos com a coordenação pedagógica. Segundo o relato, os episódios teriam contribuído para o desenvolvimento de problemas de saúde, diagnosticados por profissionais médicos como decorrentes de estresse prolongado.


Durante o período em que esteve afastada, afirma ter recebido novas notificações de processos administrativos, além de afastamentos preventivos do trabalho, o que, segundo ela, intensificou o quadro de desgaste emocional.


Atuação profissional e reivindicações


Com cerca de 19 anos de atuação no magistério municipal, a professora destaca que sempre participou de projetos educacionais, atividades sindicais e ações em defesa de melhorias na rede pública.


Entre as reivindicações feitas ao longo de sua atuação, estão a ampliação de infraestrutura escolar, contratação de cuidadores para alunos com deficiência, melhorias na merenda escolar e condições adequadas para funcionamento de escolas em tempo integral.


A servidora também afirma que algumas das demandas apresentadas resultaram em mudanças, como a criação de um anexo escolar e melhorias estruturais em unidades de ensino.


Contestação e desdobramentos

Maria Luísa Ferreira Farias declara que irá recorrer da decisão na Justiça e buscar a revisão de sua demissão. A professora afirma que continuará atuando em iniciativas educacionais e sociais, incluindo projetos voltados à formação de estudantes e inclusão.

Até o momento, a Prefeitura de Tailândia e a Secretaria Municipal de Educação não se manifestaram publicamente sobre as acusações.


Contexto mais amplo


O caso ocorre em um cenário de recorrentes denúncias de assédio moral e conflitos administrativos em redes municipais de ensino, especialmente envolvendo servidores que atuam em espaços de controle social e fiscalização.


Especialistas apontam que a transparência na condução de processos administrativos e o direito à ampla defesa são princípios fundamentais para garantir segurança jurídica e evitar conflitos dessa natureza.


O espaço segue aberto para manifestação da Prefeitura de Tailândia e da Secretaria Municipal de Educação.


(Matéria em atualização)

 


Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page