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ADOLESCENTE INDÍGENA KANAMARI TERIA SIDO VÍTIMA DE VIOLÊNCIA SEXUAL COLETIVA E CRIME FOI GRAVADO E COMPARTILHADO EM GRUPOS DE WHATSAPP NO INTERIOR DO AMAZONAS

há 3 horas
3 min de leitura

Advogada indígena denuncia demora na comunicação do crime, dificuldades para acesso ao boletim de ocorrência e ausência, até o momento, de prisão dos demais suspeitos


Imagem: Redes Sociais
Imagem: Redes Sociais

Por: Douglas Diniz - Repórter Sem Fronteiras (RSF)

Um caso de extrema gravidade envolvendo uma adolescente indígena do povo Kanamari, residente em uma comunidade indígena de difícil acesso no interior do Amazonas, vem mobilizando representantes da sociedade civil e profissionais que atuam na defesa dos direitos indígenas.


Segundo informações levadas ao conhecimento da advogada indígena Inory Kanamari, a adolescente teria sido surpreendida por cinco homens enquanto retornava a pé da cidade de Itamarati para sua comunidade. De acordo com as informações recebidas, quatro dos suspeitos seriam indígenas e um deles não indígena.


Ainda segundo os relatos, a adolescente teria sido submetida a violência sexual coletiva, e a ação teria sido filmada pelos próprios autores. Posteriormente, as imagens do crime teriam sido compartilhadas em diferentes grupos de WhatsApp da cidade de Itamarati.


O crime teria ocorrido aproximadamente 20 dias antes de chegar ao conhecimento da advogada. O registro da ocorrência, entretanto, somente teria sido realizado cerca de 15 dias após os fatos e não pela própria vítima, mas por uma mulher que tomou conhecimento da situação e procurou a delegacia para formalizar a denúncia.


Advogada cobra providências e relata obstáculos na delegacia


A advogada indígena Inory Kanamari, que atua na defesa de direitos indígenas e na proteção de mulheres e crianças indígenas, afirma ter tomado conhecimento do caso em 29 de setembro de 2026.


Após receber as informações, a advogada procurou a Delegacia de Polícia Civil de Itamarati para buscar esclarecimentos sobre as providências adotadas e cobrar uma resposta das autoridades diante da gravidade da denúncia.


Segundo Inory Kanamari, entre os obstáculos encontrados esteve a negativa inicial de acesso à cópia do boletim de ocorrência por parte do delegado titular da unidade.


A documentação somente teria sido disponibilizada após a advogada buscar providências junto à Delegacia Geral de Polícia Civil, em Manaus.

“Estamos falando de uma adolescente indígena, vítima de um crime de extrema gravidade, que vive em uma região onde o acesso ao Estado já é historicamente limitado. Quando uma denúncia dessa natureza chega ao conhecimento das autoridades, é indispensável que haja uma resposta rápida, séria e efetiva”, afirma Inory Kanamari.

Suspeito localizado em Eirunepé foi preso e liberado no dia seguinte


Ainda em 29 de setembro, após tomar conhecimento de que um dos cinco suspeitos teria deixado Itamarati e seguido para Eirunepé, a advogada Inory Kanamari, juntamente com a advogada Amanda Pinheiro, do Instituto As Manas, acionou as autoridades policiais daquele município para comunicar a informação e solicitar providências.


Após a comunicação, um dos suspeitos, identificado como Rafael Kanamari, foi localizado e preso em Eirunepé.


Segundo as informações repassadas às advogadas, entretanto, Rafael foi colocado em liberdade no dia seguinte porque, naquele momento, não havia mandado de prisão relacionado especificamente à investigação desse crime contra a adolescente.


Até o momento, segundo as informações recebidas pela defesa, os demais suspeitos permanecem em liberdade.


Caso levanta preocupação sobre proteção de vítimas indígenas


Além da violência denunciada, o caso chama atenção para uma segunda dimensão: a circulação das imagens do suposto crime em grupos de mensagens.


A divulgação e o compartilhamento de imagens relacionadas a uma possível violência sexual contra uma adolescente representam uma situação adicional de extrema gravidade e podem ampliar os danos causados à vítima, além de demandarem investigação específica pelas autoridades competentes.


Para Inory Kanamari, o caso evidencia as dificuldades enfrentadas por indígenas que vivem em comunidades distantes dos centros urbanos e que precisam percorrer longas distâncias para acessar serviços públicos, especialmente segurança pública e Justiça.

“Não podemos permitir que a distância geográfica entre uma comunidade indígena e uma delegacia seja transformada em distância entre a vítima e a Justiça. Uma adolescente indígena não pode ser vítima duas vezes: primeiro pela violência que sofreu e depois pela demora ou pela ausência de uma resposta do Estado”, afirma a advogada.

As advogadas que acompanham o caso defendem a adoção de medidas urgentes para garantir a proteção da adolescente, a preservação de sua identidade e integridade, a investigação dos fatos, a identificação de todos os envolvidos, a apuração da circulação das imagens e a responsabilização dos autores caso as acusações sejam confirmadas pelas autoridades competentes.


O caso também reforça a necessidade de políticas públicas específicas para garantir acesso à Justiça, segurança e proteção às mulheres, crianças e adolescentes indígenas que vivem em regiões remotas do Amazonas.


As informações sobre autoria e participação dos envolvidos deverão ser apuradas pelas autoridades competentes, respeitando-se o devido processo legal e o direito de defesa.


(Matéria em atualização)

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