Da floresta para o palco: Inory Kanamari leva a força dos saberes ancestrais à II Conferência Vida em Equilíbrio, em Manaus
Advogada indígena Kanamari, Inory Kanamari levou ao encontro reflexões sobre povos originários, equilíbrio emocional e a força dos conhecimentos ancestrais
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Manaus (AM) — A capital amazonense foi palco, no dia 26 de setembro, de uma programação que reuniu diferentes perspectivas sobre saúde, bem-estar, equilíbrio emocional e qualidade de vida. Realizada no Uiara Amazon Resort, conhecido como o único resort flutuante do mundo, a II Conferência da Região Norte – Vida em Equilíbrio reuniu profissionais de diferentes áreas e nomes de destaque do cenário nacional.
Entre os momentos que deram identidade amazônica à programação esteve a participação da advogada indígena Kanamari Inory Kanamari, que levou ao público uma perspectiva ainda pouco presente em grandes conferências sobre saúde e bem-estar: a contribuição dos povos indígenas e dos saberes ancestrais para a compreensão do equilíbrio entre mente, corpo, território e espiritualidade.
A presença de Inory ampliou o debate para além dos modelos convencionais de compreensão da saúde. A partir de sua trajetória como mulher indígena, advogada e pesquisadora das questões relacionadas aos povos originários, ela apresentou conhecimentos e experiências que atravessam gerações e permanecem vivos nos territórios indígenas da Amazônia.
Durante sua palestra, Inory destacou que, para muitos povos originários, não é possível compreender plenamente o bem-estar humano separando o indivíduo de seu território, de sua comunidade, de sua espiritualidade e de seus vínculos ancestrais.
A voz dos povos originários em um debate contemporâneo

A participação da advogada Kanamari ganhou relevância justamente por estabelecer uma ponte entre conhecimentos tradicionais e os debates contemporâneos sobre saúde emocional.
Ao falar sobre sua própria trajetória e sobre experiências vivenciadas ao longo de sua atuação junto a diferentes povos indígenas, Inory trouxe para o centro da discussão a necessidade de reconhecer que os povos originários possuem sistemas próprios de conhecimento, construídos ao longo de gerações por meio da relação com a floresta, os rios, o território, a comunidade e a espiritualidade.
Sua abordagem também chamou atenção para a importância de ouvir os povos indígenas não apenas como objeto de estudo, mas como produtores de conhecimento e protagonistas na construção de novos olhares sobre a vida e o equilíbrio humano.
A escolha do tema também estabeleceu uma conexão simbólica com o próprio cenário da conferência. Realizar uma discussão sobre equilíbrio e ancestralidade no coração da Amazônia proporcionou ao público um contato com uma perspectiva diretamente vinculada à realidade dos povos que historicamente habitam e protegem esses territórios.
Uma programação com nomes de destaque nacional
Da esquerda para direita: Dr. Jefferson, Psicóloga Interativa Larissa, Psiquiatra Dra. Ana Beatriz - Imagens: Reprodução
Idealizada pela nutricionista Kelly Figueredo, a II Conferência Vida em Equilíbrio contou com uma programação multidisciplinar e a participação de profissionais de diferentes áreas do conhecimento.
Entre os nomes presentes estiveram a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, conhecida nacionalmente por sua atuação na área da psiquiatria e pela divulgação de conteúdos relacionados à saúde mental; o médico Jefferson Medeiros, especialista em câncer de tireoide; a médica psiquiatra integrativa Dra. Alessandra Pereira; e a psicóloga ocupacional Larissa Souza, além de outros profissionais convidados.
A diversidade de especialidades foi um dos elementos centrais da conferência, permitindo que temas relacionados à saúde física, saúde mental, comportamento, alimentação, prevenção e qualidade de vida fossem abordados a partir de diferentes perspectivas.
Nesse contexto, a presença de Inory Kanamari acrescentou uma dimensão cultural e ancestral ao encontro, colocando em evidência uma questão fundamental: o que a sociedade contemporânea pode aprender com os conhecimentos construídos pelos povos originários ao longo de milhares de anos?
Ancestralidade como conhecimento vivo

Para Inory Kanamari, falar de ancestralidade não significa olhar apenas para o passado. Significa reconhecer conhecimentos que permanecem vivos e que continuam orientando comunidades indígenas na relação com a natureza, com o corpo, com a coletividade e com a espiritualidade.
A participação da advogada também reforçou a importância de ampliar os espaços de fala destinados aos povos indígenas em eventos nacionais, especialmente quando os temas discutidos envolvem saúde, equilíbrio, meio ambiente, cultura e direitos humanos.
Mulher indígena do povo Kanamari e advogada, Inory construiu sua trajetória profissional transitando entre o Direito, os direitos indígenas, os direitos humanos, a comunicação e a educação. Sua atuação junto a povos indígenas e populações em situação de vulnerabilidade também contribuiu para que sua palestra apresentasse não apenas uma abordagem teórica, mas uma perspectiva fundamentada em experiências concretas.
Ao ocupar o palco de uma conferência que reuniu profissionais reconhecidos nacionalmente, Inory também protagonizou um movimento importante: a presença de uma voz indígena em um espaço tradicionalmente ocupado por especialistas de diferentes áreas, levando ao público conhecimentos produzidos a partir dos próprios territórios originários.
Da Amazônia para além da Amazônia

A participação de Inory Kanamari na II Conferência Vida em Equilíbrio representa, portanto, mais do que uma palestra. É a inserção de uma perspectiva indígena em um debate que interessa à sociedade como um todo.
Em um momento em que saúde mental, qualidade de vida e equilíbrio emocional ocupam cada vez mais espaço na agenda pública e social, os saberes ancestrais apresentados por povos originários oferecem outras possibilidades de reflexão sobre a relação entre indivíduo, comunidade, natureza e espiritualidade.
Realizada em Manaus, às margens dos rios e dentro da própria paisagem amazônica, a conferência terminou deixando uma mensagem que ultrapassa o espaço do evento: para compreender diferentes formas de viver em equilíbrio, também é necessário estar disposto a escutar aqueles que aprenderam, ao longo de gerações, a viver em profunda relação com o território.
E foi justamente essa voz que Inory Kanamari levou ao palco da II Conferência Vida em Equilíbrio.













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