Greve na Assistência Social de Belém denuncia risco de extinção da FUNPAPA
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Por Lucy Silva - Jornalista DRT: 3191/PA
Os servidores e servidoras municipais da assistência social de Belém deflagraram greve nesta segunda-feira, 19 de janeiro, em defesa de um serviço digno para a população usuária do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e por melhores condições de trabalho para os profissionais da área. O ato público reuniu trabalhadores, movimentos sociais e entidades sindicais e já aponta para a possibilidade de uma greve unificada no município.
A paralisação ocorre em caráter de emergência, diante da tramitação da Lei nº 10.266/26, que, segundo a categoria, representa um ataque direto aos direitos dos servidores e ao funcionamento da política de assistência social em Belém.
“Queremos diálogo e a revogação da lei”, afirmam servidoras
Durante o ato, a educadora social e professora de sociologia Josyanne Quemel destacou os motivos da greve e cobrou diálogo imediato com a gestão municipal.
“Queremos conversar com essa gestão, queremos ser recebidos, porque não admitimos que a Lei 10.266/26 seja aprovada e fiquemos de braços cruzados. Queremos a revogação dessa lei”, afirmou.
Segundo os servidores, a ausência de diálogo institucional e a tentativa de aprovação da legislação sem a escuta das categorias aprofundaram o cenário de conflito e precipitaram a mobilização.
Desmonte do SUAS e risco à proteção social
Os trabalhadores denunciam a precarização das condições de trabalho, a falta de equipes completas, a escassez de materiais, a inexistência de concursos públicos e o enfraquecimento progressivo dos serviços ofertados à população em situação de vulnerabilidade. Para a categoria, quando a assistência social é fragilizada, o impacto é imediato sobre as famílias atendidas.
“Quando se corta a assistência social, não é discurso: é fome, abandono e insegurança para quem mais precisa”, relataram servidores durante o ato.
Seria a extinção da FUNPAPA?
Um dos pontos que mais geram preocupação entre os trabalhadores é o futuro da Fundação Papa João XXIII (FUNPAPA), responsável pela execução da política de assistência social no município. Servidores questionam se a atual gestão caminha para a extinção ou esvaziamento da fundação, a exemplo do que já ocorreu com outras estruturas públicas municipais.
A pergunta ecoou durante a manifestação: seria a extinção da FUNPAPA mais um passo no desmonte da assistência social em Belém?
Para os trabalhadores, a FUNPAPA é essencial para garantir a proteção social básica e especial. “Sem FUNPAPA, não existe SUAS no município. Extinguir ou fragilizar essa fundação é comprometer diretamente o atendimento à população mais vulnerável”, afirmaram.
Mobilização pode se ampliar
O ato contou com a solidariedade de servidores de outros setores do serviço público municipal, que também enfrentam retirada de direitos, desvalorização profissional e ausência de diálogo com a gestão. Diante desse cenário, cresce o indicativo de que a greve da assistência social possa evoluir para uma mobilização unificada dos servidores municipais de Belém.
Reivindicações
Entre as principais pautas do movimento estão:
Revogação da Lei nº 10.266/26;
Abertura imediata de diálogo com a gestão municipal;
Defesa de um serviço digno para a população usuária do SUAS;
Melhores condições de trabalho para os servidores;
Não à extinção da FUNPAPA;
Valorização salarial e realização de concurso público.
Os servidores afirmam que permanecerão mobilizados até que haja respostas concretas da Prefeitura de Belém e o respeito aos direitos da população e dos trabalhadores da assistência social.















