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Indígena marubo é sequestrado e torturado no Vale do Javari; caso expõe avanço de grupos armados e pressão por ação federal

  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

Vítima ficou mais de 24 horas à deriva após ataque de pescadores ilegais; entidades denunciam omissão do Estado e cobram operação urgente na região


Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

Um indígena do povo Marubo foi sequestrado, torturado e abandonado à deriva no início de março na Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas, em um ataque atribuído a pescadores ilegais. A vítima, identificada como Mateus Aurélio Paiva, teve mãos, pés e boca amarrados, foi ameaçada de morte e permaneceu por mais de 24 horas à deriva em uma canoa até ser resgatada com vida.


O caso, denunciado pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) e pela Defensoria Pública da União (DPU), reacende o alerta sobre a escalada da violência e a presença de organizações criminosas fortemente armadas em uma das regiões mais sensíveis da Amazônia.


Ataque ocorreu durante pescaria


Segundo relatos enviados à Polícia Federal e à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o ataque ocorreu no dia 3 de março, nas proximidades da aldeia Beija-Flor, no alto rio Ituí. Mateus havia se afastado de uma comitiva liderada pelo cacique Paulo Francisco Marubo para pescar, quando foi cercado por invasores.


Os criminosos acusaram o indígena de suposto roubo de equipamentos de pesca e, em seguida, o submeteram a agressões e imobilização. Além da tortura, tiveram seus pertences roubados, incluindo uma espingarda e um celular.


Após o ataque, a vítima foi abandonada à deriva no mesmo rio onde, em 2022, foram assassinados o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips — episódio que ganhou repercussão internacional e evidenciou a vulnerabilidade da região.


Resgate e risco de morte


Mateus permaneceu imobilizado e exposto a risco extremo por mais de um dia, sendo localizado apenas às 15h do dia seguinte por equipes de busca. Segundo as entidades, o indígena esteve durante todo esse período em “situação de grave perigo”, sem qualquer possibilidade de defesa ou fuga.


Denúncia de omissão e avanço do crime


A Univaja denuncia que, mesmo após o ataque, os suspeitos continuavam circulando livremente no território indígena dias depois do crime. A entidade também aponta lentidão das autoridades na apuração do caso e ausência de efetivo suficiente para operações de combate às invasões.

A Polícia Federal em Tabatinga foi acionada, mas teria informado limitações operacionais para realizar ações imediatas na área.

Para as organizações indígenas, o episódio não é isolado, mas parte de um padrão crescente de violência ligado à atuação de redes criminosas envolvidas com pesca ilegal, tráfico e outras atividades ilícitas na região de fronteira com o Peru.


Cobrança por intervenção imediata


Diante do ataque, foram protocolados pedidos urgentes às autoridades, incluindo:


  • abertura de inquérito por tortura, sequestro, roubo e tentativa de homicídio;

  • reforço da presença da Força Nacional, Ibama e Polícia Federal;

  • desintrusão de acampamentos ilegais no rio Ituí;

  • fechamento do trânsito não autorizado na área;

  • fortalecimento da Base de Proteção Etnoambiental (BAPE).


A Defensoria Pública da União também solicitou ao Ministério da Justiça medidas emergenciais para garantir a proteção territorial e impedir novas invasões.


Território sob ameaça permanente


Vale do Javari - maior concentração de povos indigenas isolados do mundo - Imagens: Reprodução


O Vale do Javari abriga a maior concentração de povos indígenas isolados do mundo e é considerado estratégico para a proteção socioambiental da Amazônia. A presença de invasores, segundo as entidades, compromete não apenas a segurança das comunidades, mas também o chamado “cordão sanitário”, essencial para evitar a disseminação de doenças entre povos de recente contato.


Um padrão de violência que se repete


O ataque ao indígena Marubo reforça um cenário de impunidade e fragilidade institucional na região. Para organizações indígenas e entidades de direitos humanos, a ausência de respostas rápidas e efetivas do Estado contribui para a repetição de crimes e amplia o risco de novas tragédias.


Sem a presença permanente e ação firme do poder público, o Vale do Javari seguirá sob ameaça — e os povos que defendem a floresta continuarão sendo alvo da violência.


(Matéria em atualização)


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