top of page

Professores e servidores municipais de Belém protestam contra a gestão de Igor Normando (MDB) e denunciam precarização da educação municipal e serviços públicos

Por Douglas Diniz – Repórter Sem Fronteiras (RSF)

 

Belém, PA - “Não é mole, não! Tem dinheiro para a COP, mas não tem para a educação!” foi o grito que ecoou pelas ruas de Belém na manhã desta quarta-feira (5), quando centenas de trabalhadoras e trabalhadores da educação municipal realizaram uma passeata organizada pelo SINTEPP Belém (Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação Pública do Pará). O protesto denunciou o abandono das escolas públicas, a desvalorização dos profissionais da educação e o uso político da COP 30, evento que começará no próximo dia 10 de novembro e se estenderá até o dia 21.

 

A manifestação começou às 8h da manhã em frente à Secretaria Municipal de Educação (Semec) e percorreu as principais avenidas do centro — Governador José Malcher, Presidente Vargas, Castilho França e Ver-o-Peso — até chegar à Prefeitura de Belém, onde as palavras de ordem se multiplicaram: 'Servidor, na rua, Igor, a culpa é tua!', 'Respeitem o professor!' e 'Igor Barbalho, devolve meu salário!', em alusão ao prefeito Igor Normando (MDB), acusado de negligenciar a pauta da categoria, de não pagar o piso nacional do magistério e de não garantir o valor de 1 salário mínimo aos servidores.

 

Mais de R$ 7 bilhões para a COP 30 e nenhuma valorização para a educação

 

Os manifestantes lembraram que a cidade de Belém recebeu mais de R$ 7 bilhões do governo federal para a execução de obras e intervenções urbanas destinadas à COP 30, conferência climática das Nações Unidas que durará 12 dias.

 

De acordo com o SINTEPP Belém, esse montante bilionário contrasta com a situação de colapso da educação municipal, que enfrenta salas superlotadas, escolas sem estrutura mínima, baixos salários e contratos precários.

 

“Vamos mostrar para o mundo que a educação municipal de Belém está em frangalhos. Os professores e professoras não recebem o piso, os funcionários de escola não ganham sequer um salário mínimo e a educação está sendo privatizada”, afirmou Silvia Letícia, coordenadora do sindicato.

 

Críticas ao legado social da COP: obras para o capital, abandono para o povo

 

Além das reivindicações salariais, o ato também fez críticas diretas ao chamado “legado da COP 30”, que, segundo os educadores, será marcado por exclusão social, remoções e abandono das periferias. O sindicato denuncia que, sob o pretexto de “embelezar a cidade”, o governo promove uma limpeza social que afeta moradores em situação de rua, enquanto os bairros periféricos continuam sem saneamento, transporte digno e escolas adequadas. 

“Não aceitaremos uma COP que sirva para propaganda política enquanto os serviços públicos seguem sucateados e a população trabalhadora é empurrada para fora do centro da cidade”, disse a professora Madalena Gonçalves também da coordenação do SINTEPP Belém durante o ato em frente à Prefeitura. 

O projeto político por trás da COP

 

Os manifestantes também associaram as obras e o investimento bilionário à estratégia política do governador Helder Barbalho (MDB), apontando que o evento internacional está sendo usado como vitrine eleitoral. Segundo dirigentes sindicais, o projeto busca projetar o governador como candidato ao Senado Federal em 2026 e fortalecer sua vice, Hana Ghassan, como sucessora ao governo estadual.

 

“A COP 30 é o grande palanque de Helder Barbalho. Enquanto o governo prepara a cidade para receber chefes de Estado, quem trabalha na educação, na saúde e nos serviços públicos vive com salário defasado e estrutura precária. Essa é a verdadeira face do modelo de desenvolvimento que estão vendendo ao mundo”, afirmou Karina Lopes da Associação dos Servidores Municipais do Pronto Socorro (PSM) do Guamá uma das lideranças do movimento.

 

Serviço público sucateado e resistência nas ruas


O protesto dos trabalhadores da educação se soma a uma série de mobilizações sindicais e populares que denunciam o sucateamento dos serviços públicos em Belém e no Pará, declarou Miriam Sodré também da direção do SINTEPP BELÉM.

 

Segundo Rayme Sousa da Direção do SINTSUAS (FUNPAPA) “o governo municipal e estadual prioriza grandes obras, marketing e parcerias privadas, enquanto os servidores enfrentam falta de reajuste, sobrecarga e desrespeito aos planos de carreira”.

 

A categoria anunciou que seguirá mobilizada até o dia 26/11 quando foi agendada uma reunião entre o SINTEPP, o Fórum de Entidades e a Prefeitura de Belém.

 

O ato terminou com uma assembleia simbólica em frente ao Palácio Antônio Lemos, reafirmando o compromisso da categoria com a defesa da educação pública, da valorização profissional e da justiça social em Belém.

 

Na Segunda-Feira (10), será a vez dos servidores da saúde municipal realizarem manifestação em frente ao Hospital Pronto-Socorro Mário Pinotti, que fica na 14 de Março. A categoria exige da Prefeitura de Belém o não fechamento do hospital, uma reforma ampla, a valorização profissional e a melhoria nas condições de trabalho.

 

📢 Apoie o jornalismo independente: PIX: 10.637.752/0001-11 (CNPJ - Info.Revolução)

 


Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page