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Saneamento básico expõe desigualdade regional e coloca cidades do Pará entre as piores do Brasil

  • há 23 horas
  • 3 min de leitura

Ranking nacional revela Santarém na última posição entre os 100 maiores municípios; Belém, Ananindeua, Marituba e Marabá enfrentam déficits históricos que impactam saúde pública e qualidade de vida da população


Imagem: Redes Sociais
Imagem: Redes Sociais

Por Douglas Diniz - Repórter Sem Fronteiras (RSF)


Santarém, no oeste do Pará, ocupa a última colocação no Ranking do Saneamento 2026 entre os 100 municípios mais populosos do Brasil, evidenciando uma crise estrutural no acesso a serviços básicos. Apenas 3,28% da população conta com coleta de esgoto e cerca de 9,26% têm acesso ao tratamento, segundo levantamento baseado em dados nacionais consolidados. O cenário se repete, com variações, em outras cidades do estado, como Belém, Ananindeua, Marituba e Marabá, que também figuram entre os piores indicadores do país.


A realidade contrasta com as metas nacionais de universalização do saneamento até 2033 e escancara um abismo regional: enquanto cidades do Sudeste lideram o ranking, o Norte concentra os piores resultados, refletindo décadas de subinvestimento e ausência de políticas estruturantes.


Norte na base, Sudeste no topo


Santarém-PA e Niterói - dois extremos do saneamento no Brasil


O estudo mais recente do Instituto Trata Brasil aponta que municípios como Campinas (SP), Limeira (SP) e Niterói (RJ) lideram o ranking nacional, com ampla cobertura de coleta e tratamento de esgoto. Em contrapartida, a base da lista é dominada por cidades da Região Norte, como Santarém (PA), Porto Velho (RO) e Macapá (AP).


O levantamento evidencia um padrão persistente: enquanto regiões mais ricas avançam na universalização, estados como o Pará permanecem com indicadores críticos, revelando desigualdade estrutural no acesso a serviços essenciais.


Pará: crise generalizada nas grandes cidades


Além de Santarém, outras cidades paraenses enfrentam graves déficits:


  • Belém, capital do estado, ainda convive com baixos índices de coleta e tratamento de esgoto, agravados por problemas históricos de infraestrutura urbana;

  • Ananindeua e Marituba, na Região Metropolitana, apresentam crescimento populacional acelerado sem correspondente expansão da rede de saneamento;

  • Marabá, polo regional no sudeste do estado, também registra dificuldades estruturais, com impacto direto em áreas periféricas.


Em todas essas cidades, a precariedade do saneamento está diretamente associada ao aumento de doenças de veiculação hídrica, à degradação ambiental e à piora das condições de vida da população.


Investimento insuficiente trava avanço


Um dos principais entraves apontados pelo estudo é o baixo investimento. As 20 cidades com piores indicadores aplicam, em média, R$ 78,40 por habitante ao ano em saneamento — valor muito inferior aos R$ 223,82 necessários para alcançar a universalização até 2033.


A diferença evidencia que, sem um aumento significativo de recursos e planejamento, a meta nacional corre o risco de não ser cumprida, especialmente nas regiões mais vulneráveis.


Universalização distante da realidade


Segundo dados técnicos analisados no relatório, apenas 2,54% dos municípios brasileiros estão em estágio avançado de universalização dos serviços de saneamento. A grande maioria ainda enfrenta gargalos estruturais, com o Norte e o Nordeste concentrando os maiores desafios.


No caso do Pará, especialistas apontam que o problema vai além da infraestrutura: envolve também gestão, planejamento urbano e continuidade de políticas públicas.


Impactos diretos na saúde e no meio ambiente


A ausência de saneamento adequado tem efeitos imediatos e de longo prazo. Doenças como diarreia, hepatite A, leptospirose e parasitoses seguem presentes em áreas com baixa cobertura de esgoto, pressionando o sistema público de saúde.


Além disso, o despejo de esgoto in natura em rios e igarapés compromete ecossistemas inteiros — uma contradição em um estado marcado pela riqueza hídrica e ambiental.


Desafio político e social


O cenário coloca o saneamento básico no centro do debate público. Mais do que uma questão técnica, trata-se de um problema político, que exige prioridade orçamentária, transparência e compromisso dos governos em todas as esferas.


Sem enfrentar esse déficit histórico, cidades como Santarém, Belém, Ananindeua, Marituba e Marabá continuarão convivendo com uma realidade incompatível com direitos básicos garantidos pela Constituição.


Um retrato da desigualdade brasileira


O ranking do saneamento não apenas mede infraestrutura — ele revela desigualdades profundas no país. Enquanto algumas cidades avançam rumo à universalização, outras ainda lutam por condições mínimas de dignidade.


No Pará, o desafio é urgente: transformar números alarmantes em políticas concretas que garantam saúde, qualidade de vida e justiça social para a população.


Sem saneamento, não há desenvolvimento. E sem prioridade política, o atraso se perpetua.

CONHEÇA ESTUDODO TRATA BRASIL - RANKING SANEAMENTO 2026


(Matéria em atualização)

 


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