Servidores e pacientes enfrentam alagamentos recorrentes na UMS Cabanagem após chuvas em Belém
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Unidade de saúde volta a ficar isolada durante temporal; trabalhadores denunciam anos de abandono, prejuízos materiais e dificuldades para atendimento da população

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BELÉM (PA) — Uma chuva de curta duração foi suficiente para transformar novamente o acesso à Unidade Municipal de Saúde (UMS) Cabanagem em um cenário de transtornos para servidores e usuários. Os alagamentos registrados ao longo do mês de junho deixaram trabalhadores ilhados dentro da unidade e obrigaram quem precisava entrar ou sair a atravessar a água acumulada na via, expondo-se a riscos de acidentes e à contaminação por doenças.
Localizada na Rua São Paulo, s/n, em uma área considerada baixa do bairro da Cabanagem, a unidade convive há anos com problemas de drenagem que se agravam durante o período chuvoso. Segundo relatos de servidores ouvidos pelo Portal Info.Revolução, o volume de água se concentra ao redor do prédio, impedindo a circulação de funcionários e pacientes.
O problema também provocou prejuízos materiais. Um dos veículos estacionados em frente à unidade, pertencente a uma enfermeira, foi invadido pela água durante o alagamento.
Embora intervenções recentes tenham evitado que a água volte a invadir o interior do prédio, como ocorria em anos anteriores, os transtornos permanecem. Foram construídas muretas de concreto ao redor da unidade para impedir a entrada da água nas dependências internas. Antes da obra, servidores relatam que os alagamentos chegavam a atingir o primeiro pavimento, obrigando trabalhadores e usuários a se refugiarem no segundo andar até o nível da água baixar.
A UMS Cabanagem reúne entre 40 e 50 trabalhadores, entre servidores efetivos e contratados. Com base na estrutura da unidade e no número de profissionais em atividade, a estimativa é de que sejam realizados entre 150 e 300 atendimentos por dia, incluindo consultas médicas, atendimento de enfermagem, vacinação, procedimentos odontológicos, curativos e dispensação de medicamentos.
Durante os meses de estiagem, o acesso ocorre sem maiores dificuldades. Já no inverno amazônico, a situação se repete praticamente a cada chuva mais intensa. Segundo os trabalhadores, quando a rua alaga, quem está do lado de fora encontra dificuldade para entrar na unidade e quem está no interior fica impossibilitado de sair até que o nível da água diminua.
Além da infraestrutura precária, servidores afirmam enfrentar condições de trabalho adversas. Em depoimentos ao Portal Info.Revolução, trabalhadores relataram um ambiente marcado por pressão administrativa e alegam sofrer perseguições internas, incluindo ameaças de mudança de turno e de colocação à disposição da administração municipal. As denúncias ainda não tiveram posicionamento oficial da Prefeitura de Belém.

Os servidores também afirmam que parte dos trabalhadores recebe vencimento-base inferior a um salário mínimo, situação que, segundo eles, amplia o sentimento de desvalorização profissional diante das dificuldades enfrentadas diariamente.
Para especialistas em saúde pública, problemas estruturais como alagamentos comprometem não apenas as condições de trabalho das equipes, mas também o acesso da população aos serviços essenciais, especialmente em unidades de atenção primária responsáveis pelo atendimento de comunidades inteiras.
Enquanto isso, moradores da região e profissionais da saúde seguem convivendo com um problema que, segundo os relatos, deixou de ser um episódio isolado e passou a fazer parte da rotina da unidade. Em um equipamento público que atende centenas de pessoas diariamente, a cada nova chuva renova-se também a preocupação com o acesso da população, a segurança dos trabalhadores e a continuidade dos serviços de saúde.
(Matéria em atualização)






















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