MORADORES DENUNCIAM DERRUBADA DE ÁRVORES E COBRAM PREFEITURA DE BELÉM POR OBRAS NA PRAÇA DOROTHY STANG
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Comunidade da Sacramenta afirma que cerca de 10 pinheiros, mangueiras e uma samaúma filha da samaumeira que tombou no CAN foram retiradas e não ha notícia de remanejamento durante intervenção no espaço e denuncia prejuízos às atividades culturais, esportivas e comunitárias; moradores organizam programação para ocupar e defender a praça
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BELÉM (PA) — Moradores do bairro da Sacramenta voltaram a denunciar a intervenção realizada pela Prefeitura de Belém na Praça Dorothy Stang. Segundo os relatos encaminhados à Info.Revolução, árvores de grande porte, entre elas mangueiras e samaúmas, teriam sido derrubadas durante as obras, comprometendo a arborização e o funcionamento de um espaço utilizado há anos para atividades culturais, esportivas e de convivência comunitária.
Os moradores classificam a derrubada como um “crime ambiental” e afirmam não foram informados sobre remanejamento.
“Não sabemos se remanejaram as árvores, aparentemente cortaram todas. Tinham samaúmas ali, mangueiras”, denuncia um dos relatos recebidos pela reportagem.
A denúncia amplia os questionamentos sobre a intervenção da gestão do prefeito Igor Normando (PSDB) na praça. Para a comunidade, uma obra apresentada como melhoria urbana não pode destruir justamente os elementos ambientais e sociais que dão vida ao espaço público.
A Info.Revolução ressalta que a caracterização jurídica de eventual crime ambiental depende de apuração pelos órgãos competentes. A denúncia dos moradores, entretanto, coloca uma questão objetiva para a Prefeitura: por que árvores de grande porte foram retiradas e quais autorizações ambientais respaldaram os cortes?
MORADORES DIZEM QUE PRAÇA TEVE FUNCIONAMENTO PREJUDICADO
A Praça Dorothy Stang não é apenas uma área de passagem. O local funciona como ponto de encontro de moradores, artistas, jovens, crianças, esportistas e grupos culturais da Sacramenta.
Segundo os moradores, a intervenção comprometeu a infraestrutura utilizada para essas atividades e dificultou a realização da programação comunitária.
A situação chama atenção porque, mesmo diante das dificuldades provocadas pelas obras, a comunidade decidiu manter a ocupação cultural do espaço.
A resposta dos moradores é transformar o fim de semana em uma demonstração de que a praça continua pertencendo à população.
CULTURA E RESISTÊNCIA OCUPAM A DOROTHY STANG
A programação começa na sexta-feira, às 16h30, com oficina de grafite ministrada por Ítalo Trindade. A partir das 18h, estão previstas atrações musicais com Paulo Evander e Afilhados do Carimbó.
No sábado, as atividades começam às 9h, com treino de capoeira das Angoleiras Cabanas. A programação inclui ainda oficina de instrumentos musicais produzidos com materiais recicláveis, palestra do Hta de Rua e pocket show de Ruth Clark.
No domingo, estão previstas oficina de tintas de argila com Álvaro, oficina de máscaras com Handerson e apresentação musical.
Grafite, carimbó, capoeira, reciclagem, artes visuais e música mostram uma realidade que vai muito além da estrutura física da praça: existe uma comunidade que produz cultura e reivindica o direito de decidir sobre o território onde vive.
OBRA PÚBLICA NÃO PODE SIGNIFICAR DESTRUIÇÃO
A denúncia levanta questionamentos que precisam ser respondidos pela Prefeitura de Belém.
Houve autorização para a retirada das árvores? Quantas foram cortadas? Qual era o estado fitossanitário delas? Existia alternativa ao corte? Haverá compensação ambiental? Qual projeto de arborização está previsto para a praça? E como ficará a infraestrutura necessária para as atividades culturais e esportivas desenvolvidas pela comunidade?
São perguntas de interesse público.
Modernizar uma praça não deveria significar apagar sua memória, reduzir sua cobertura vegetal ou inviabilizar atividades construídas pela própria população.
No caso da Praça Dorothy Stang, o contraste é ainda mais simbólico. O espaço leva o nome de uma defensora da Amazônia assassinada em 2005 e reconhecida internacionalmente pela luta em defesa da floresta e das populações do campo.
Agora, moradores denunciam justamente a derrubada de árvores em uma praça que carrega seu nome.
COMUNIDADE QUER PRAÇA VIVA
A mobilização deste fim de semana também transmite um recado à administração municipal: a população da Sacramenta não pretende abandonar o espaço.
Enquanto cobra explicações sobre as árvores derrubadas e infraestrutura adequada para as atividades, a comunidade continua promovendo cultura, esporte e convivência dentro da praça.
A Prefeitura de Belém precisa explicar publicamente os critérios adotados na intervenção e apresentar as autorizações e medidas de compensação relacionadas à retirada das árvores denunciada pelos moradores.
Praça pública não é apenas concreto, iluminação ou paisagismo. É árvore, sombra, cultura, esporte, memória e convivência.
E qualquer intervenção realizada com dinheiro público precisa começar por uma regra elementar: ouvir quem vive e utiliza o território.
(Matéria em atualização)














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