Servidores paralisam o PSM Mário Pinotti e denunciam privatização da gestão Igor Normando
- contatoinforevollu
- 11 de nov.
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Belém (PA) – No primeiro dia da COP 30, nesta segunda-feira (10), o maior pronto-socorro da capital paraense, o Hospital Pronto-Socorro Mário Pinotti (PSM da 14 de Março), foi palco de uma paralisação histórica. Servidoras e servidores públicos interromperam as atividades e protestaram veementemente contra o que classificam como um golpe da Prefeitura de Belém contra a saúde pública: o fechamento e a transferência dos serviços da unidade hospitalar.
A mensagem dos trabalhadores foi clara e direta: a prefeitura de Igor Normando (MDB) está utilizando a urgência da reforma como primeiro passo para a privatização da saúde em Belém.
Ataque ao “porta aberta” e desmonte do SUS
O PSM Mário Pinotti é referência de alta complexidade e a única unidade de “porta aberta” no estado, garantindo atendimento emergencial direto a qualquer cidadão. O possível fechamento temporário e a transferência para uma unidade privada são vistos pelos servidores como o início do desmonte do SUS na capital.
“A interdição, sem um plano de contingência claro, pode colapsar a já sobrecarregada rede municipal de saúde, agravando a situação crítica já alertada pelo Ministério Público Federal (MPF)”, afirmou Karina Lopes, da Associação dos Servidores do Pronto-Socorro do Guamá e do Fórum de Entidades Municipais de Belém.
Durante o protesto, manifestantes vestiram roupas pretas e levaram um caixão simbólico até a entrada do prédio, em sinal de luto pela saúde pública.
Aproveitando a presença da imprensa internacional em Belém por conta da COP 30, os servidores internacionalizaram a denúncia, exibindo faixas em inglês:
“Mayor of outsourcing!” (Prefeito das terceirizações!) e “Belém needs a government that respects workers and values the SUS, not one that treats people’s health as a commodity” (Belém precisa de um governo que respeite os trabalhadores e valorize o SUS, não de um que trate a saúde das pessoas como mercadoria).
Reforma: descaso e pretexto para a privatização
A Prefeitura justifica o fechamento da unidade alegando a necessidade de reforma estrutural, devido à precariedade das instalações.
Mas, segundo os servidores, o abandono crônico é o resultado direto da falta de investimento e gestão, e não uma justificativa para entregar o serviço à iniciativa privada.
Manifestação em frente o PSM da 14 de março - Imagem: Redes Sociais
Um relatório do Conselho Regional de Medicina (CRM), divulgado em abril, já apontava o cenário de calamidade: soro e ataduras usados como peso de porta, infiltrações, paredes mofadas e mobiliário deteriorado, oferecendo risco a pacientes e profissionais.
Para os trabalhadores, a promessa da Prefeitura de que o hospital funcionará “em conjunto com a unidade privada, dobrando a capacidade de atendimento” é, na prática, a institucionalização da política de terceirização e privatização da saúde pública.
“O descaso com a manutenção é a prova do abandono. Agora querem transformar o caos que eles mesmos criaram em justificativa para entregar o hospital ao setor privado”, denunciou uma servidora durante o ato.
Categoria promete intensificar mobilização

Os servidores ameaçam ampliar a paralisação e suspender todas as atividades caso o Ministério Público e a Prefeitura não suspendam imediatamente o processo de fechamento e de transferência do PSM Mário Pinotti.
Até o fechamento desta matéria, trabalhadores mantinham acampamento em frente ao hospital, em vigília permanente contra o que chamam de ataque à saúde pública e tentativa de privatização do SUS em Belém.
(Matéria em atualização)






























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