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ARTISTA EQUATORIANO PRESO EM TEFÉ DENUNCIA AGRESSÕES E MAUS-TRATOS; ENTIDADES COBRAM INVESTIGAÇÃO E PROVIDÊNCIAS

há 2 horas
6 min de leitura
EXCLUSIVO

Santiago Andrés Bravo Delgado está preso após ocorrência em Tefé; documentos enviados ao Portal Info.Revolução relatam espancamento, agressão quando o artista estaria rendido, possíveis lesões durante a custódia e tratamento xenofóbico. Denúncia já chegou ao Ministério Público do Amazonas


A prisão do artista circense equatoriano Santiago Andrés Bravo Delgado, após uma ocorrência em Tefé, no interior do Amazonas, está cercada por graves denúncias de agressões, maus-tratos e possível xenofobia - Imagem: Reprodução
A prisão do artista circense equatoriano Santiago Andrés Bravo Delgado, após uma ocorrência em Tefé, no interior do Amazonas, está cercada por graves denúncias de agressões, maus-tratos e possível xenofobia - Imagem: Reprodução

BELÉM (PA) — A prisão do artista circense equatoriano Santiago Andrés Bravo Delgado, após uma ocorrência em Tefé, no interior do Amazonas, está cercada por graves denúncias de agressões, maus-tratos e possível xenofobia.


Documentos encaminhados ao Portal Info.Revolução relatam que o artista teria sido espancado durante a abordagem e apontam que as agressões teriam continuado quando ele já estava rendido. Entidades culturais exigem investigação, identificação dos envolvidos e responsabilização de quem eventualmente tenha praticado ou permitido a violência.

As denúncias já ultrapassaram as redes sociais e chegaram formalmente ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM). Em 14 de setembro, foi registrada a Manifestação nº 11.2026.0009078-0, relacionada à atuação policial.
O documento informa que Santiago teria sido espancado por policiais militares e guardas municipais após o episódio ocorrido em 9 de setembro de 2026, em Tefé. O denunciante também relata ter procurado a delegacia para solicitar exame de corpo de delito e registrar boletim de ocorrência.

O Portal Info.Revolução analisou três documentos relacionados ao caso: o registro feito no MPAM, uma nota da Associação dos Artistas Circenses do Amazonas (AACA) e um ofício da Associação Cultural Ouvidor 63, de São Paulo.

Os relatos convergem para uma questão central: é preciso esclarecer o que aconteceu desde a abordagem até o período em que Santiago permaneceu sob custódia.


A situação exige respostas das autoridades do Amazonas. Se confirmadas as agressões e os maus-tratos relatados, os responsáveis devem ser identificados, investigados e responsabilizados. A prisão de uma pessoa, brasileira ou estrangeira, não autoriza violência.


ARTISTA TERIA SIDO ESPANCADO APÓS OCORRÊNCIA EM FRENTE A RESTAURANTE


Imagens da agressão e violência sofrida por Santiago Andrés Bravo Delgado - Imagens: Reprodução


ATENÇÃO: CONTEÚDO SENSIVEL - CENAS DE VIOLÊNCIA - Denúncias de agressões contra o artista equatoriano foram noticiadas em REDES SOCIAS - Vídeo: Reprodução

A denúncia ganhou repercussão entre artistas depois que a AACA publicou, em 10 de setembro, uma nota de repúdio sobre o episódio. A entidade afirma que Santiago, enquanto desenvolvia atividade artística nas ruas de Tefé, teria sido agredido por policiais militares e por um guarda municipal.


Segundo a versão apresentada pela associação, o episódio teria começado quando Santiago estava em frente a um restaurante e sua presença teria desagradado ao proprietário do estabelecimento. A entidade menciona a existência de vídeo da ocorrência e classifica o tratamento dispensado ao artista como violento e discriminatório.


A circunstância que originou a abordagem precisa ser esclarecida. Mas ela não encerra a questão levantada pelos documentos.


Independentemente da acusação que tenha levado Santiago à prisão, existe uma segunda pergunta que precisa ser respondida publicamente: o artista foi agredido depois de abordado ou quando já estava rendido?


A AACA cobra providências da Polícia Militar do Amazonas e da Prefeitura de Tefé. A entidade pede que os policiais envolvidos sejam identificados e investigados e que o município esclareça a eventual participação de integrante da Guarda Municipal.


DOCUMENTO RELATA AGRESSÃO CONTRA SANTIAGO JÁ RENDIDO


Imagens dos tornozelos de Santiago retratam agressoões sofrida pelo artista circense - Imagem: Reprodução
Imagens dos tornozelos de Santiago retratam agressoões sofrida pelo artista circense - Imagem: Reprodução

Outro documento torna a denúncia ainda mais grave.


Em ofício datado de 12 de setembro, a Associação Cultural Ouvidor 63 relata ter analisado registros em vídeo relacionados ao caso. Segundo a entidade, as imagens mostrariam marcas nos tornozelos do artista e, em outro momento, um homem à paisana apareceria desferindo golpes com um objeto de madeira contra Santiago quando ele já estaria rendido dentro de uma viatura.


A descrição das imagens coloca novas perguntas diante das autoridades: quem é o homem à paisana? Por que ele teria acesso a uma pessoa rendida dentro de uma viatura? Quais agentes estavam no local? Alguém tentou impedir as agressões?


Essas perguntas não podem ficar sem resposta.


As imagens integrais, os depoimentos das pessoas que presenciaram a ocorrência, a identificação dos agentes e os registros produzidos pelas próprias forças de segurança são fundamentais para reconstruir o que aconteceu.


DENÚNCIAS DE MAUS-TRATOS CONTINUAM APÓS A PRISÃO


As preocupações apresentadas pelas entidades não terminam no momento da abordagem.


A Ouvidor 63 pede uma verificação urgente das condições físicas de Santiago. O documento menciona possíveis arranhões no rosto, marcas de amarras e lesões nas costas.
Há ainda um relato particularmente preocupante. Segundo a associação, uma comunicação telefônica teria sido interrompida justamente quando Santiago relatava estar sofrendo maus-tratos. O documento também registra informações de que visitantes estariam sendo impedidos de entrar com telefones celulares.

A prisão do artista circense equatoriano Santiago Andrés Bravo Delgado, após uma ocorrência em Tefé, no interior do Amazonas, está cercada por graves denúncias de agressões, maus-tratos e possível xenofobia - Imagem: Reprodução
A prisão do artista circense equatoriano Santiago Andrés Bravo Delgado, após uma ocorrência em Tefé, no interior do Amazonas, está cercada por graves denúncias de agressões, maus-tratos e possível xenofobia - Imagem: Reprodução

Esses relatos precisam ser verificados imediatamente.


É necessário informar publicamente se Santiago passou por exame médico, se foi realizado exame de corpo de delito, se foram encontradas lesões e se há registros fotográficos ou médicos sobre seu estado físico depois da abordagem.


Também é preciso esclarecer onde Santiago permaneceu preso, quem estava responsável por sua custódia e quais agentes tiveram contato com ele.


QUEM É SANTIAGO ANDRÉS BRAVO DELGADO


Santiago em atividade - Associação Cultural Ouvidor 63 - Imagens: Reprodução

Santiago é natural de Cuenca, no Equador, e tem trajetória ligada às artes circenses.


Segundo a Associação Cultural Ouvidor 63, ele integra desde pelo menos 2017 a comunidade de artistas vinculada ao centro cultural, em São Paulo. A entidade afirma que Santiago participou de ensaios, apresentações, oficinas, mutirões, curadorias e atividades coletivas.


A associação também declara que, durante os anos de convivência no espaço cultural, não registrou comportamento violento por parte dele.


A declaração não determina o que aconteceu na ocorrência em Tefé, mas ajuda a explicar por que artistas e entidades culturais de outros estados passaram a acompanhar a situação e cobrar esclarecimentos.


A relevância institucional da AACA também pode ser verificada em fonte pública: em agosto deste ano, a Câmara Municipal de Manaus aprovou lei reconhecendo a Associação dos Artistas Circenses do Amazonas como entidade de utilidade pública.


RELATO DE XENOFOBIA AUMENTA PREOCUPAÇÃO


Denúncias de agressões contra o artista equatoriano foram noticiadas em programa de televisão aberta no Equador - Vídeo: Reprodução

A nacionalidade de Santiago acrescenta outra dimensão à denúncia.

O ofício da Ouvidor 63 registra que o artista estaria sendo chamado de “gringo” e alerta para a possibilidade de tratamento discriminatório relacionado à sua origem estrangeira.


A Associação dos Artistas Circenses do Amazonas também caracteriza o episódio denunciado como preconceituoso, discriminatório e xenófobo.


Cabe à investigação esclarecer quem teria utilizado a expressão, em que circunstâncias e se a nacionalidade do artista interferiu na maneira como ele foi abordado ou tratado posteriormente.


Santiago é equatoriano, mas sua condição de estrangeiro não pode transformá-lo em alvo de humilhação, violência ou tratamento diferenciado.


MINISTÉRIO PÚBLICO JÁ RECEBEU A DENÚNCIA


A gravidade do caso aumenta porque já existe uma manifestação formal no Ministério Público do Amazonas.


O documento da Ouvidoria do MPAM, datado de 14 de setembro, registra Tefé como local do fato, identifica Vanderley Pinheiro como manifestante e inclui a Delegacia de Polícia de Tefé entre os denunciados/requeridos. O relato levado ao órgão menciona diretamente o suposto espancamento de Santiago.


A existência do registro não comprova as acusações. Confirma, porém, que a denúncia foi formalmente apresentada a uma instituição pública e precisa receber a devida apuração.


É justamente por isso que o caso não pode desaparecer em meio ao silêncio institucional.


AUTORIDADES PRECISAM RESPONDER


Há perguntas objetivas que permanecem sem resposta pública.

Quem participou da abordagem? Quem determinou a prisão? Quais policiais militares estavam presentes? Houve participação de guarda municipal? Quem é o homem à paisana apontado no documento? Santiago foi agredido depois de rendido? Houve lesões? Foi realizado exame de corpo de delito? Existem imagens oficiais da ocorrência? Foram preservadas? Algum procedimento foi aberto para investigar os agentes? Santiago relatou maus-tratos enquanto estava preso?

E, diante da denúncia de xenofobia: sua condição de equatoriano influenciou o tratamento recebido?


Polícia Militar, Polícia Civil, Prefeitura de Tefé, Ministério Público e demais autoridades responsáveis precisam esclarecer esses pontos.


A denúncia também exige que seja assegurado a Santiago acesso à defesa, comunicação com pessoas de sua confiança e acompanhamento de sua integridade física enquanto permanecer sob responsabilidade do Estado.


DENUNCIAR NÃO É CONDENAR; SILENCIAR TAMBÉM NÃO É INVESTIGAR


Tornar essas informações públicas não significa antecipar o resultado de uma investigação nem declarar culpados aqueles cuja participação ainda precisa ser esclarecida.


Significa impedir que denúncias documentadas de violência contra uma pessoa presa sejam reduzidas a mais um episódio esquecido.


Há documentos. Há entidades cobrando providências. Há relatos sobre vídeos. Há denúncias de lesões e maus-tratos. E existe uma manifestação formal apresentada ao Ministério Público.

Agora é necessário investigar com independência, preservar as provas, identificar todos os envolvidos e dar transparência às conclusões. Caso as agressões, os maus-tratos ou atos discriminatórios sejam confirmados, os responsáveis devem responder por suas condutas.

A prisão de Santiago não pode produzir uma zona de silêncio em torno do que teria acontecido com ele.


As autoridades do Amazonas devem respostas à sociedade, ao artista, à comunidade cultural que acompanha o caso e à família de Santiago. A denúncia está pública. Cabe agora às instituições investigar os fatos e tomar as providências cabíveis.

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(Matéria em atualização)

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