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Aumento das tarifas em capitais acende alerta para usuários do transporte coletivo em Belém

 

Reajustes em capitais como São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Fortaleza, logo no início de 2026, reforçam o debate sobre o custo social da mobilidade e o risco de novos aumentos em Belém.

 

 

Belém, PA – O início de 2026 foi marcado por aumentos no preço das tarifas de ônibus, trens e metrôs em ao menos cinco capitais brasileiras, elevando o custo diário de deslocamento e reacendendo críticas de usuários e movimentos sociais ao modelo de financiamento do transporte coletivo no país. Belo Horizonte, Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador já confirmaram reajustes, alguns deles em vigor desde a virada do ano.

 

Em Belo Horizonte, a tarifa de ônibus teve acréscimo de R$ 0,50, colocando a capital mineira como a segunda mais cara do Brasil. Fortaleza registrou um dos reajustes mais expressivos, com aumento de R$ 0,90. Em São Paulo, a tarifa dos ônibus municipais subiu para R$ 5,30, enquanto metrô e trens da CPTM passaram a custar R$ 5,40. No Rio de Janeiro, o reajuste foi de R$ 0,30 nos transportes municipais. Florianópolis, que lidera o ranking das tarifas mais altas, anunciou elevação de 11,5%, válida a partir de 5 de janeiro.

 

As prefeituras justificam os aumentos com base em cláusulas contratuais de reajuste anual e na pressão dos custos operacionais, como combustíveis, manutenção e folha de pagamento. Para as entidades sindicais, no entanto, o impacto recai de forma desproporcional sobre trabalhadores, estudantes e a população em geral — que é quem, de fato, utiliza o transporte coletivo. 

“Esses reajustes mostram que o transporte segue sendo tratado como mercadoria, e não como um direito social”, afirma uma dirigente sindical do setor de serviços públicos ao comentar o cenário nacional. Segundo ela, o peso da tarifa compromete parte significativa da renda dos trabalhadores urbanos, especialmente nas periferias. “O salário não sobe no mesmo ritmo da passagem. No fim do mês, quem paga a conta é o usuário.”

Na Região Norte, ainda não há anúncio oficial de reajuste em Belém, mas o histórico preocupa. Empresários do transporte costumam seguir os movimentos do Sul e do Sudeste, o que alimenta a expectativa de novos pedidos de aumento. A situação ganhou contornos mais sensíveis após a aprovação, em 2024, de uma nova lei municipal de transporte, enviada à Câmara Municipal pelo então prefeito Edmilson Rodrigues (PSOL).

 

A legislação permite flexibilidade para reajustes tarifários e garantiu ao consórcio de empresas o controle integral da bilhetagem eletrônica — sistema responsável pela gestão de gratuidades e meias-passagens. Para sindicalistas e usuários ouvidos pelo Portal Info.Revolução, 'mesmo com as isenções fiscais, as mudanças na lei não se traduziram em melhoria efetiva do serviço; ao contrário, beneficiaram apenas os empresários'.

 

Apesar dos discursos oficiais do governador Helder Barbalho e do prefeito Igor Normando, que projetavam um novo patamar para a mobilidade em Belém, o cotidiano dos passageiros permanece marcado por atrasos e transtornos. O BRT, concebido para reduzir o tempo de viagem, frequentemente falha em seu propósito — seja por problemas operacionais, seja pelo gargalo gerado pela convivência com o trânsito comum e ônibus do sistema antigo em diversos trechos. 

“Mesmo com a implantação do BRT, que prometia agilidade e pontualidade, a realidade do transporte urbano em Belém pouco mudou”, avalia um usuário. “O sistema continua caro, irregular e distante das necessidades da população.”

Diante desse cenário, lideranças sindicais e movimentos estudantis disseram ao Portal que não descartam mobilizações caso um novo reajuste seja anunciado na capital paraense. Protestos, bloqueios de vias e atos públicos são considerados respostas prováveis, repetindo episódios registrados em outras capitais diante de aumentos tarifários.

 

O Fórum de Entidades de Servidores Municipais de Belém avalia que qualquer reajuste da passagem será considerado redutor salarial da categoria. “Procuraremos o Ministério Público e a Justiça, se for o caso, para impedir esse assalto aos salários dos servidores”, afirmaram dirigentes sindicais.

 

Para as entidades, o debate sobre tarifa zero, subsídio público e maior controle social sobre o transporte volta a ganhar força. “Sem enfrentar a lógica do lucro privado, vamos continuar vendo aumentos sucessivos e serviços precários”, conclui um dirigente.

 

Enquanto isso, usuários de diferentes regiões do país iniciam o novo ano com um custo maior para ir e vir — e com a mobilidade urbana novamente no centro da disputa política e social.

 

(Matéria em atualização)

A posição do Portal Info.Revolução diante dos reajustes do transporte coletivo 

Transporte coletivo não é mercadoria: é direito social

 

O início de 2026 foi marcado por uma sequência de reajustes nas tarifas de ônibus, trens e metrôs em diversas capitais brasileiras. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza e outras grandes cidades confirmaram aumentos que, mais uma vez, recaem diretamente sobre os ombros de quem vive do próprio trabalho. Para milhões de brasileiros, o transporte coletivo não é escolha — é condição básica para acessar direitos.

 

Diante desse cenário, o Portal Info.Revolução reafirma sua posição editorial: o transporte público não pode ser tratado como mercadoria, subordinado à lógica do lucro privado. Mobilidade urbana é direito social e deve ser garantida pelo Estado com qualidade, regularidade e preço justo. 

Os reajustes são apresentados por gestores públicos e empresários como inevitáveis, ancorados em cláusulas contratuais e na elevação dos custos operacionais. O que raramente entra no debate é quem paga essa conta. O impacto dos aumentos é imediato no orçamento das famílias trabalhadoras, dos estudantes e dos moradores das periferias, enquanto salários permanecem estagnados e o serviço segue marcado por precariedade.

Em Belém, mesmo sem anúncio oficial de reajuste até o momento, a apreensão é legítima. A experiência mostra que os empresários do setor costumam acompanhar os movimentos registrados no Sul e Sudeste. A situação torna-se ainda mais sensível após mudanças recentes na legislação municipal de transporte, que ampliaram a flexibilidade tarifária e fortaleceram o controle empresarial sobre a bilhetagem eletrônica, sem que isso se traduzisse em melhorias reais para os usuários.

 

A implantação do Sistema BRT, anunciada como solução estrutural para a mobilidade urbana, ilustra esse descompasso entre promessa e realidade. Apesar dos discursos oficiais de modernização, o cotidiano de quem depende do transporte coletivo segue marcado por atrasos, superlotação, falhas operacionais e longos tempos de deslocamento. A modernização, quando não acompanha a garantia de direitos, torna-se apenas discurso. 

O Info.Revolução entende que o debate sobre transporte coletivo precisa ir além do reajuste anual. É necessário questionar o modelo de financiamento, os contratos com as concessionárias, a ausência de controle social e a opção política por transferir o custo do sistema quase integralmente para o usuário. Alternativas como tarifa zero, municipalização e gestão participativa precisam ser tratadas com seriedade e transparência.

Dar voz a quem necessita significa ouvir o usuário, o trabalhador, o estudante, o morador da periferia — e não apenas os gabinetes e balanços empresariais. Significa também reconhecer a legitimidade das mobilizações sociais diante de aumentos que funcionam, na prática, como redução salarial.

 

O Portal Info.Revolução seguirá cumprindo seu papel de jornalismo independente, comprometido com o interesse público e com a classe trabalhadora. Em um país marcado por desigualdades profundas, informar é também posicionar-se. E nossa posição é clara: transporte coletivo de qualidade, acessível e sob controle social é condição mínima para uma sociedade justa.

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