CIDADE DO SILÊNCIO? MORADORA DENUNCIA SUPOSTA PERSEGUIÇÃO APÓS CRITICAR ATENDIMENTO EM HOSPITAL PÚBLICO DE TONANTINS
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Família afirma que criança de 8 anos recebeu atendimento inadequado, prescrição de medicamento com dosagem incompatível para sua idade e que críticas ao serviço público resultaram em resposta considerada intimidatória por servidor comissionado.

Tonantins (AM) – Uma moradora do município de Tonantins, no interior do Amazonas, procurou a reportagem do Info. Revolução para denunciar o que classifica como um cenário de precariedade na saúde pública e de intimidação contra cidadãos que manifestam insatisfação com os serviços oferecidos pelo poder público municipal.
Segundo o relato encaminhado à reportagem, no dia 28/07/2026, por volta das 9:30, a mulher precisou levar sua filha, de apenas oito anos de idade, ao hospital público do município após a criança sofrer um ferimento no rosto.
A mãe S.A.S, que afirma ser enfermeira, sustenta que o atendimento prestado à criança apresentou falhas técnicas. De acordo com ela, o curativo realizado na paciente não observou protocolos assistenciais recomendados para esse tipo de procedimento. Fotografias encaminhadas à reportagem mostram o curativo aplicado após a realização da sutura.
Inconformada com o atendimento recebido, a moradora publicou um desabafo em seu status do WhatsApp, criticando a qualidade da assistência prestada à filha.
Imagens encamihada pela denunciante ao Portal Info.Revolução
Pouco tempo depois, segundo a denunciante, um enfermeiro que exerce cargo comissionado na Prefeitura de Tonantins teria respondido de forma indireta por meio de seu próprio status na mesma plataforma de mensagens, publicando a frase: "Silêncio, agora a dona da razão irá falar."
Para a moradora, a publicação teve caráter de deboche e representou uma tentativa de constrangê-la após exercer seu direito de manifestação.
Medicação também é alvo de questionamento
Além das críticas ao procedimento realizado no hospital, a mãe afirma que recebeu uma prescrição medicamentosa cuja dosagem seria superior à indicada para crianças da idade de sua filha, aproximando-se da posologia utilizada para pacientes adultos.
A reportagem ressalta que essa informação representa a versão apresentada pela denunciante e que eventual inadequação da prescrição depende de análise técnica dos órgãos competentes e dos documentos médicos correspondentes.
"Quem reclama sofre perseguição"
O episódio, segundo a moradora, não seria isolado.
Ela afirma que moradores de Tonantins evitam denunciar problemas relacionados aos serviços públicos por receio de represálias praticadas por pessoas ligadas à administração municipal.
De acordo com seu relato, cidadãos que criticam o atendimento em unidades públicas acabam sendo expostos, ridicularizados ou tratados de forma hostil por ocupantes de cargos comissionados ou pessoas vinculadas ao poder público local.
Caso as alegações sejam confirmadas, especialistas destacam que a liberdade de manifestação constitui direito assegurado pela Constituição Federal, especialmente quando exercida para questionar a prestação de serviços públicos.
Dificuldade para denunciar
Outro problema apontado pela denunciante é a dificuldade de acesso aos órgãos de fiscalização.
Tonantins possui aproximadamente 20 mil habitantes e está localizado às margens do Rio Solimões, em uma região de difícil acesso no interior do Amazonas.
Segundo a moradora, a população enfrenta obstáculos para formalizar denúncias, pois muitos procedimentos dependem do deslocamento até a comarca de Santo Antônio do Içá, município responsável pela jurisdição local.
A necessidade de viagens fluviais, que podem consumir várias horas, representa um custo elevado para grande parte da população e, na prática, acaba desestimulando a busca por providências junto aos órgãos competentes.
Necessidade de apuração
Os fatos relatados reforçam a necessidade de apuração pelas autoridades competentes, especialmente diante das alegações envolvendo possível falha na assistência prestada a uma criança, eventual inadequação de prescrição medicamentosa, suposto constrangimento praticado por agente público e dificuldades estruturais enfrentadas pelos moradores para exercer o direito de denunciar.
O Info. Revolução permanece à disposição da Prefeitura de Tonantins, da Secretaria Municipal de Saúde e do profissional citado para que apresentem seus esclarecimentos e eventual versão dos fatos, em respeito aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da boa prática jornalística.
A reportagem continuará acompanhando o caso.
(Matéria em atualização)

















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