COP 30 e o Descaso do Governo Helder Barbalho com o Pará: A Maquiagem Não Esconde o Abandono
- contatoinforevollu
- 12 de nov.
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Estou em Belém, acompanhando de perto a COP 30 e a Cúpula dos Povos, e afirmo sem rodeios: a maquiagem feita pelo governador Helder Barbalho não foi suficiente para esconder os anos de abandono que o Pará vive. Sou de Manaus, Amazonas, e basta andar pelas ruas, conversar com o povo e olhar para além dos palcos oficiais para perceber o contraste gritante entre o discurso verde e a realidade de lama.
Cheguei ao Pará no dia 7 de novembro, e desde então tenho testemunhado um espetáculo de descaso e improviso. Povos indígenas de todo o Brasil e de diversas partes do mundo têm chegado com esperança e coragem para participar desse encontro global sobre o clima. Mas o que encontram aqui é desorganização, espera e desrespeito.O credenciamento, que deveria ser simples, se transforma em horas de espera sob o sol ou sob a chuva. O espaço destinado aos povos indígenas, chamado de “Aldeia COP 30”, alagou completamente após uma chuva leve. E, para completar o absurdo, a imprensa foi impedida de entrar no local, numa tentativa vergonhosa de esconder as imagens do desastre.
Que governo é esse que fala em sustentabilidade enquanto nega dignidade aos povos que são os verdadeiros guardiões da floresta?Falam em Amazônia viva, mas tratam seus povos como figurantes exóticos de um evento internacional.
Enquanto indígena, sinto-me profundamente desrespeitada. Não apenas por mim, mas por cada parente que deixou sua aldeia, atravessou o país e chegou até Belém acreditando que seria ouvido, acolhido e respeitado.O que o governo do Pará ofereceu aos povos indígenas fere a dignidade humana. É inadmissível que, em pleno século XXI, um evento que se propõe a discutir o futuro do planeta seja palco de tanta exclusão e encenação política.
O Pará, hoje, é uma vitrine internacional. E o que o mundo está vendo, por trás dos discursos ensaiados, é um estado afogado em desigualdade, precariedade e abandono.Belém, a capital que o governo tenta vender como símbolo de sustentabilidade, está tomada por lixo, por buracos e por uma população esquecida, que convive diariamente com o descaso e o silêncio do poder público.
A COP 30 deveria ser um marco de esperança, mas, nas mãos de quem governa o Pará, está se transformando em um espelho da hipocrisia política.O discurso do governador Helder Barbalho soa bonito para os microfones internacionais, mas não convence quem pisa o chão da Amazônia. Porque quem vive aqui sabe que não existe política ambiental verdadeira sem justiça social, sem escuta e sem respeito aos povos originários.
Os povos indígenas não são cenário para foto. Não somos adereço de evento internacional.Somos voz, resistência e verdade, e por isso estamos aqui, para denunciar, com a força da palavra e da presença, o que tentam encobrir com tapumes e propaganda.
O mundo precisa saber: o Pará está longe de ser o exemplo de sustentabilidade que Helder Barbalho quer vender.E enquanto tentarem calar nossas vozes, estaremos aqui, firmes, indignados e de pé, mostrando que nenhuma maquiagem política é capaz de esconder a lama do descaso.




















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