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Resumo da ópera: Parece que o único setor que continua realmente feliz no Brasil é o da publicidade institucional

  • há 19 horas
  • 10 min de leitura

Trump, Lula e as “terras raras”: soberania no discurso, negócios nos bastidores

O encontro entre Donald Trump e Lula, realizado em Washington, chamou atenção menos pelo conteúdo e mais pelo simbolismo: dois presidentes com altos índices de desaprovação tentando vender estabilidade política em meio às próprias crises internas.


Trump, enfrentando desgaste histórico nos Estados Unidos, inflação alta, críticas à política externa e rejeição crescente até entre setores que antes o apoiavam, apareceu ao lado de Lula em clima amistoso e pragmático. Lula, por sua vez, também chega fragilizado ao encontro, convivendo com índices elevados de desaprovação, críticas na segurança pública e dificuldades em transformar indicadores econômicos em apoio popular concreto.


Mas o momento mais curioso veio quando Lula resolveu praticamente tranquilizar o mercado e a Casa Branca sobre as chamadas “terras raras” brasileiras. Falou em soberania nacional, coordenação estratégica e industrialização interna… enquanto, ao mesmo tempo, abria espaço para negociações e investimentos norte-americanos sobre recursos considerados estratégicos para o futuro da economia mundial.

No fim, ficou aquela velha sensação conhecida da política internacional: quando um presidente fala demais sobre soberania em coletiva de imprensa, provavelmente já começou alguma negociação que o povo só vai descobrir depois.


Outro detalhe que chamou atenção foi Lula afirmar que não vê possibilidade de interferência de Trump nas eleições brasileiras. Curioso. Num mundo em que até rede social interfere em eleição de condomínio, o presidente brasileiro parece acreditar que as grandes potências agora viraram defensoras da neutralidade democrática.


Enquanto isso, trabalhadores brasileiros e norte-americanos seguem convivendo com inflação, precarização e custo de vida elevado, assistindo dois governos desgastados discutirem minerais estratégicos, acordos econômicos e fotografias diplomáticas cuidadosamente ensaiadas.


No teatro da geopolítica, muda o cenário, trocam-se os discursos, mas o roteiro continua quase sempre o mesmo.

STF, Banco Master e microfone aberto: Brasília entrou em modo desespero

Brasília viveu nesta semana um daqueles episódios que fariam qualquer roteirista de novela política pedir aumento. O governo Lula sofreu uma derrota histórica no Senado com a rejeição do nome de Jorge Messias ao STF — algo que não acontecia desde os tempos de Marechal Floriano Peixoto, quando crise política ainda se resolvia no telegrama e no bigode.


Mas quem roubou a cena não foi Jorge Messias, muito menos a oposição. O verdadeiro protagonista foi o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que resolveu antecipar o placar em microfone aberto: “acho que vai perder por oito votos”. Em Brasília, o microfone aberto já virou patrimônio imaterial da República e principal fonte de vazamentos da política nacional.


Nos bastidores do Congresso, cresce a leitura de que as derrotas impostas ao governo Lula funcionaram também como um recado direto ao Planalto diante do avanço das investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master e a suposta relação de aliados de Alcolumbre com aplicações milionárias envolvendo recursos da previdência do Amapá.


A chamada Operação Zona Cinzenta colocou no radar investimentos de alto risco feitos pela Amprev no Banco Master. O detalhe incômodo é que, segundo investigadores, aliados políticos e até familiares ligados ao grupo de Alcolumbre aparecem orbitando toda a operação. Em Brasília, coincidência demais costuma virar reunião reservada.


O clima ficou tão delicado que já apareceu nos corredores da capital a ideia de indicar Rodrigo Pacheco ao STF como gesto de “pacificação” entre governo e Senado. Traduzindo do brasiliense para o português: quando a Polícia Federal chega perto demais do andar de cima, sempre surge alguém oferecendo cadeira no Supremo como calmante institucional.


Enquanto isso, Lula tenta apagar incêndio com discurso de governabilidade, Flávio Bolsonaro comemora como narrador de final de campeonato e Alcolumbre faz cara de paisagem tentando convencer o país de que tudo não passa de mera coincidência republicana.


No fim das contas, Brasília continua funcionando do jeito de sempre: investigação sobe, temperatura política sobe junto e o STF segue sendo o melhor extintor de crise já inventado pela República.

Vaia em Santarém e marketing em Belém: a política paraense entrou em modo reality show

No estado embalado em marketing institucional, a política paraense segue produzindo cenas dignas de um reality show premium patrocinado pelo contribuinte. Desta vez, a estrela do episódio foi a governadora Hana Grashan, que resolveu testar sua popularidade em Santarém e descobriu, ao vivo e sem filtro, que nem toda recepção popular vem acompanhada de aplausos, selfie e vídeo para rede social.


Com índices de desaprovação fazendo mais barulho que caixa de som em carreata eleitoral, Hanna bem que tentou posar de líder querida do povão. Mas o roteiro saiu um pouco diferente do planejado pela equipe de comunicação: foi vaiada em plena praça pública. E não adiantou sorriso ensaiado, aceno coreografado nem expressão de “isso é fake news da oposição”. A vaia veio espontânea, daquele tipo que nenhum marqueteiro consegue editar depois.


Nos bastidores, aliados tentam minimizar dizendo que “vaias fazem parte da democracia”. Verdade. Mas quando a vaia começa a virar trilha sonora oficial dos eventos públicos, talvez seja um pequeno sinal de que o encantamento está derretendo mais rápido que picolé no verão amazônico.


Enquanto isso, Helder Barbalho segue firme em sua pré-campanha ao Senado, carregando nas costas o projeto de eleger Hana ao governo e Chicão ao Senado. O problema é que o ex-governador também começa a enfrentar turbulências na própria popularidade, especialmente após as fortes chuvas castigarem cidades que antes eram apresentadas como vitrines administrativas do grupo político.

“Geladão” só na propaganda: população segue enfrentando o inferno do transporte público em Belém

A Prefeitura de Belém descobriu finalmente a solução para o caos no transporte público: propaganda em alta potência e “geladões” nas redes sociais. Enquanto isso, na vida real, a população segue espremida em ônibus sucateados, enfrentando panes, atrasos e até incêndios em plena via pública.


Os tão anunciados 300 ônibus com ar-condicionado chegaram primeiro ao marketing oficial do que às paradas de ônibus da periferia. Para os rodoviários, o cenário continua sendo salários atrasados e precarização das relações de trabalho. Para o povo, o velho martírio diário da mobilidade urbana.


A verdade é que a COP 30 foi vendida como passaporte para uma nova Belém. Mas, até agora, o que muita gente viu foi maquiagem urbana, vídeos para redes sociais e promessas climatizadas. Já o transporte coletivo continua pegando fogo — às vezes literalmente.


Na capital da propaganda institucional, o ar-condicionado ainda não chegou ao sofrimento da população.

Entre a propaganda e a parada: o sofrimento de quem depende do ônibus de Mosqueiro

O prefeito Igor Normando anunciou aumento da frota de ônibus para Mosqueiro. Só esqueceu de avisar o principal: quando isso vai sair da propaganda e chegar às paradas.


Enquanto o anúncio circula bonito nas redes sociais da Prefeitura, moradores do distrito seguem enfrentando horas de espera debaixo de chuva, ônibus lotados e um sistema de transporte cada vez mais precário. Quem precisa resolver a vida em Belém continua dependendo das vans para não perder consulta médica, compromisso ou simplesmente conseguir voltar para casa.


E a dependência do transporte alternativo virou um drama ainda maior para os idosos. Muitos relatam maus-tratos e constrangimentos nas vans por utilizarem a gratuidade garantida por lei. Os que se recusam a pagar valores abusivos acabam tendo consultas, compras e compromissos atrasados.


Questionada pela Coluna, Dona O. Oliveira resumiu o sentimento de muitos moradores: “Eu queria ver o prefeito, sem carro oficial e sem as facilidades do poder, pegar o ônibus de Mosqueiro para Belém só um dia, para saber o sofrimento que os idosos passam.”


Em Mosqueiro, o “novo transporte” ainda parece estar preso no engarrafamento da publicidade oficial.

Cotijuba à deriva: população enfrenta abandono entre trapiches, atrasos e promessas da Prefeitura

Se em Mosqueiro o povo espera ônibus que não chegam, em Cotijuba a paciência da população também navega à deriva. A irritação com a Prefeitura de Belém cresce entre os moradores da ilha, que reclamam da precariedade e da falta de pontualidade no transporte fluvial.


Mas o problema não termina na travessia. Desembarcar no trapiche e conseguir seguir viagem para comunidades mais afastadas, como o Vai Quem Quer e a região da Flecheira, virou mais uma etapa do sofrimento diário da população.

Mãe de uma criança estudante da escola da Flecheira, uma moradora desabafou indignada à Coluna: “Não são os filhos deles que estudam aqui.”


Enquanto a propaganda oficial vendeu uma Belém moderna para a COP 30, quem mora nas ilhas continua enfrentando abandono, atraso e a velha sensação de que existe uma cidade das redes sociais — e outra bem diferente, vivida pelo povo.

Praça da República: entre buracos, abandono e a política que incomoda

No centro de Belém, uma das reclamações que mais chegam à Coluna é sobre o abandono da Praça da República. Cartão-postal da cidade, espaço tradicional de lazer, caminhadas e encontros culturais, a praça parece ter sido esquecida pelo poder público.


Buracos, calçamento irregular, falta de limpeza e conservação transformaram o passeio matinal de muitos idosos em verdadeiro percurso de obstáculos. Há quem diga, em tom de ironia, que o abandono acontece porque a praça é historicamente um reduto da esquerda belenense, onde aos domingos muita gente ainda insiste em debater política, os problemas da cidade e até os destinos do mundo.


Enquanto isso, o povo segue perguntando: por que até hoje não existe no local uma academia ao ar livre decente, com equipamentos públicos e profissionais para orientar quem pratica atividades físicas?


Talvez porque seja mais fácil investir em propaganda para redes sociais do que cuidar da praça mais simbólica da capital.

Centro comercial de Belém vira “pista de obstáculos” em meio ao abandono da Prefeitura

No centro comercial de Belém, a sensação é de que a Prefeitura decretou independência da realidade. Ambulantes, comerciantes e trabalhadores estão cada vez mais revoltados com o abandono da área que deveria ser um dos principais cartões-postais econômicos da capital.


Buracos por todos os lados, obras de saneamento que parecem eternas, esgoto a céu aberto, falta de organização do comércio popular, ausência de revitalização e alagamentos que transformam ruas em canais improvisados a cada chuva. Quem trabalha no centro já não sabe se abre a loja ou se pega uma rabeta.


Enquanto isso, faltam espaços adequados para armazenamento de mercadorias e sobra improviso. O comércio popular segue sobrevivendo na base da resistência e da gambiarra institucionalizada.


Tem comerciante dizendo que o centro comercial de Belém virou patrimônio da “COP da Maquiagem”: pinta daqui, grava vídeo dali, faz propaganda acolá… mas resolver os problemas reais parece não entrar no roteiro oficial. A COP já acabou e nada foi resolvido.


No ritmo atual, o único planejamento urbano visível no centro é o treinamento diário da população para corrida de obstáculos.

Belém alaga, mas o “Kit TikTok da Tragédia” da Prefeitura segue funcionando perfeitamente

As fortes chuvas que castigaram Belém no último dia 05 de maio serviram para muita coisa — menos para a Prefeitura anunciar alguma medida estrutural séria contra os alagamentos que, curiosamente, acontecem toda vez que chove.


O que a população viu novamente foi a operação padrão do “Kit TikTok da Tragédia”: iluminação boa, celular gravando na vertical, cabelo penteado, cara de preocupação ensaiada e, claro, o indispensável colete laranja da Defesa Civil recém-retirado do plástico para render boas imagens nas redes sociais.


Passada a sessão de cinema da Prefeitura, começa o segundo ato: secretários municipais em verdadeira caça por likes, distribuindo cestas básicas e garrafões de água mineral com direito a câmera posicionada, maquiagem alinhada, gel no cabelo e expressão treinada para parecer solidariedade espontânea.


Na região do Mata Fome, moradores ironizaram até o perfume utilizado pela comitiva oficial. Um deles disse à Coluna que preferia o velho “cheiro do Pará” ao forte aroma de “perfume importado de secretário”, usado — segundo ele — mais para aparecer no vídeo do que para ajudar quem perdeu tudo.


Pelo visto, enquanto a cidade afunda na água da chuva, parte da gestão municipal segue navegando tranquilamente no filtro das redes sociais.

Escola municipal de Belém vira “parque aquático” do abandono público

As fortes chuvas que atingiram Belém também trouxeram à tona imagens difíceis de esquecer da Escola Municipal Palmira Gabriel, no bairro da Pedreira. Professores e crianças precisaram subir em mesas e carteiras para evitar contato com a água fétida que invadiu a unidade escolar.


Enquanto isso, dentro da “escola aquática municipal”, alunos tentavam se proteger da água que caía do teto usando sombrinhas e pedaços de papelão. Um pai de aluno resumiu a situação dizendo que, em vez de teto, a escola agora funciona em “modo chuveiro automático”.


Depois da repercussão das imagens, educadores de outras escolas municipais procuraram a Coluna do Cão Chupando Manga e o Portal Info.Revolução para fazer um convite nada animador: montar plantão em pelo menos uma escola de cada distrito de Belém para comprovar que o caso da Palmira Gabriel está longe de ser exceção.


Segundo denúncias do SINTEPP Belém, o que apareceu nas redes sociais seria apenas a “ponta do iceberg” do abandono enfrentado pelas escolas municipais da capital.


Pelo visto, em algumas unidades da rede municipal, estudar continua sendo um exercício diário de equilíbrio, resistência e sobrevivência.

Casa Dia: Prefeitura de Belém só acorda após pressão da Justiça e do MPPA

Parece que a Justiça e o Ministério Público do Pará resolveram fazer aquilo que a Prefeitura de Belém vinha empurrando com a barriga: olhar para a situação da Casa Dia. O município agora terá 60 dias para apresentar um Plano de Recuperação do espaço, além de adotar medidas imediatas para resolver problemas estruturais e sanitários.


A decisão escancara o nível de abandono enfrentado por um equipamento público que deveria oferecer dignidade e cuidado, mas que acabou precisando da intervenção judicial para funcionar minimamente.


Nos bastidores, já tem gente apostando que em breve aparecerá vídeo institucional, visita monitorada, colete oficial e secretário com expressão de surpresa diante de problemas que moradores e usuários denunciam há muito tempo.


Em Belém, infelizmente, parece que algumas coisas só entram na agenda da Prefeitura depois que chegam acompanhadas de decisão judicial.

UBS Satélite: falta remédio, falta estrutura… só não falta político “peidando cheiroso”
Imagem: Redes Sociais
Imagem: Redes Sociais

Moradores da região do Satélite encaminharam à Coluna do Cão Chupando Manga mais uma reclamação sobre a situação da UBS Satélite. Segundo relatos, falta praticamente tudo para atender a população com dignidade — menos indignação dos usuários e silêncio da SESMA diante de problemas que já seriam de pleno conhecimento da Prefeitura.


A maior revolta dos moradores, no entanto, não é apenas com a precariedade da unidade de saúde, mas também com um vereador da região que, segundo eles, apareceu em época de eleição prometendo resolver os problemas da comunidade, conseguiu votos e depois sumiu do mapa.


Hoje, dizem os moradores, o parlamentar trocou a convivência na comunidade pela tranquilidade do condomínio onde mora. “Antes ele parava o carro, falava com o povo, apertava mão… agora passa de carro importado e parece até que desaprendeu a olhar para pobre”, ironizou uma moradora.


Outra resumiu de forma mais direta: “Agora ele tá é peidando cheiroso.”


Enquanto isso, a UBS segue funcionando no velho modo sobrevivência, onde o povo espera atendimento e os políticos parecem esperar apenas a próxima eleição.

Resumo da ópera: Parece que o único setor que continua realmente feliz no Brasil é o da publicidade institucional. Porque, na vida real, até a plateia começou a sair mais cedo do espetáculo — e a parte que ficou já ameaça descer do camarote para ocupar as ruas e protestar.


 


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