SENADOR PLÍNIO VALÉRIO: O “CÂNCER” DO AMAZONAS?
- há 21 horas
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Não é de hoje que o senador Plínio Valério se posiciona politicamente em pautas que atingem diretamente os povos indígenas, ribeirinhos e a proteção da Amazônia.
E é justamente por isso que precisamos falar.
Porque política não se resume a discurso, fotografia ou promessa de campanha. Política se revela nas escolhas, nos posicionamentos e, principalmente, em quem é beneficiado quando determinadas decisões são tomadas.
Em entrevista recente à Rede Amazônica, o senador classificou o ICMBio como “o maior câncer deste país”. Respeito o direito de qualquer parlamentar criticar instituições públicas. Mas faço uma pergunta:
Câncer para quem?
Para quem pretende flexibilizar a proteção ambiental, avançar sobre territórios protegidos e transformar a floresta em mercadoria, talvez a fiscalização ambiental seja mesmo um obstáculo.
Para nós, povos indígenas e comunidades tradicionais, a história é outra.
A Amazônia não é um espaço vazio esperando investidores.A floresta não é pasto. Território indígena não é área disponível para exploração. E o povo que vive na floresta não pode ser tratado como obstáculo ao desenvolvimento.
Ao longo da minha trajetória na advocacia e acompanhando de perto as discussões políticas que envolvem os povos indígenas do Amazonas, questiono: quantas vezes vimos o senador assumir, de forma concreta e consistente, a defesa dos povos indígenas, dos ribeirinhos e da proteção ambiental?
Eu, particularmente, não me sinto representada.
E acredito que essa seja uma pergunta que o eleitor amazonense precisa fazer antes de colocar novamente seu voto na urna:
Quem esse parlamentar representa? Quais interesses defende? E quais interesses estão sendo deixados de lado?
Não precisamos demonizar adversários políticos. Precisamos fazer algo muito mais poderoso: olhar para a trajetória, cobrar coerência e votar com consciência.
Se o senador considera o ICMBio um “câncer”, nós, povos indígenas, temos o direito de dizer que enxergamos determinadas políticas como uma ameaça à floresta e aos nossos territórios.
E há uma diferença fundamental:
Instituições podem ser criticadas e aperfeiçoadas.Mas a Amazônia precisa continuar existindo.
O Amazonas não pode ser transformado em pasto, garimpo e negócio para poucos enquanto os povos que historicamente protegem esta floresta continuam sendo silenciados.
Nas próximas eleições, não devemos votar apenas em nomes.
Devemos votar em projetos, compromissos e posições.
Porque o nosso voto é a nossa voz.
E a voz dos povos indígenas, ribeirinhos e das comunidades tradicionais do Amazonas precisa ser ouvida.
A Amazônia não está à venda. Nossos territórios não estão à venda. E nossa consciência também não.














Plínio Valério é apenas mais um político descolado da realidade, agindo por interesses próprios e de seus financiadores. Tomara, pelo bem da Amazônia e do Brasil, que esse crápula não seja reeleito.