Servidores federais marcham em Brasília-DF contra a Reforma Administrativa: Intoxicados da Funasa e SINTSEP-PA fortalecem a luta nacional em defesa do serviço público
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- 1 de nov.
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Por Douglas Diniz – Repórter Sem Fronteiras (RSF) em colaboração com SINTSEP-PA
E-mail: contato@inforevolucao.com
Com palavras de ordem em defesa dos serviços públicos e contra os ataques aos trabalhadores e trabalhadoras do funcionalismo, cerca de 20 mil servidores públicos ocuparam as ruas de Brasília (DF) na manhã desta quarta-feira (29) durante a Marcha Nacional contra a Reforma Administrativa.
O ato, que reuniu representantes das três esferas – federal, estadual e municipal – teve concentração no Museu Nacional, seguiu pela Esplanada dos Ministérios e encerrou-se em frente ao Congresso Nacional, onde os manifestantes exigiram a retirada imediata da PEC da Reforma Administrativa.
A mobilização contou com ampla participação de centrais sindicais, entidades de classe e parlamentares, que subiram ao caminhão de som para manifestar posição contrária ao projeto que ameaça desmontar o Estado brasileiro e destruir direitos históricos do funcionalismo. A principal mensagem da marcha foi clara: o serviço público é um direito do povo.
Ataque à classe trabalhadora e defesa da soberania social
As falas e faixas ressaltaram que a proposta de Reforma Administrativa (PEC 38), que retoma o espírito da PEC 32 do governo Bolsonaro, mantém a lógica neoliberal de terceirização, precarização e privatização dos serviços públicos, além de abrir novas brechas para corrupção e sucateamento de áreas essenciais como saúde, educação e assistência social.
As entidades ligadas à CSP-Conlutas, entre elas o SINTSEP-PA, destacaram que a luta não se limita à derrubada da PEC em tramitação. Conforme avaliam os dirigentes sindicais, o atual governo Lula-Alckmin também aplica uma reforma administrativa fatiada, ao impor o Arcabouço Fiscal, que congela investimentos públicos e impõe cortes de gastos sociais para atender aos interesses do capital financeiro e do mercado.
Delegação paraense em luta: SINTSEP-PA e os Intoxicados da Funasa
Do Pará, uma delegação de servidores federais filiados ao Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (SINTSEP-PA) participou ativamente da mobilização. A entidade enviou um ônibus com mais de 50 trabalhadores e trabalhadoras, incluindo servidores intoxicados da antiga Funasa vindos das regiões do Tapajós, Baixo Amazonas, Nordeste Paraense, Marabá (Sudeste) e Conceição do Araguaia (Sul do estado).

Além da presença na marcha, a delegação realizou agenda de luta junto ao Ministério da Saúde, onde entregou documentos oficiais exigindo a criação de um plano de saúde específico para os servidores intoxicados por DDT durante o combate à malária em décadas passadas — uma luta que simboliza a dívida histórica do Estado brasileiro com esses trabalhadores que adoeceram a serviço da saúde pública.
“A marcha foi um verdadeiro sucesso. Estamos todos felizes porque o SINTSEP-PA esteve presente nesse momento superimportante para barrar a tentativa de retirada de direitos da categoria”,
Regina Brito, Coordenadora geral do SINTSEP-PA.
“Não aceitaremos mais ataques aos nossos direitos. Essa reforma tem como objetivo destruir o serviço público federal, estadual e municipal. É urgente construir uma greve geral unificada do funcionalismo”.
Cedicio de Vasconcellos, da Coordenação do SINTSEP-PA.
Também participaram da marcha, em ônibus cedido pelo Andes-Sindicato Nacional, a servidora Karina Lopes, da Associação dos Servidores do Pronto-Socorro do Guamá, e servidor Rayme Sousa, do SINTSUAS/Funpapa, representando o Fórum de Entidades Municipais de Belém.
Reforma perde força no Congresso
Enquanto milhares marchavam em Brasília, o cenário político dentro da Câmara dos Deputados indicava um fracasso iminente da PEC da Reforma Administrativa, bandeira pessoal do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Com retiradas sucessivas de assinaturas e resistência crescente entre partidos do Centrão e da base governista, a proposta encalhou antes mesmo de chegar ao plenário.
Deputados de diferentes partidos já avaliam que a reforma perdeu o timing político, em meio ao clima pré-eleitoral e à falta de disposição do governo em comprar mais uma briga com o funcionalismo. Mesmo entre defensores das reformas liberais, a percepção é de que faltam liderança e capital político para levar adiante uma pauta tão impopular.
Avaliação sindical
A Marcha Nacional de 29 de novembro foi uma demonstração de força e unidade da classe trabalhadora. Mostrou que, apesar das dificuldades impostas pela burocracia e pela fragmentação sindical, há disposição de luta nas bases. A presença dos servidores intoxicados da Funasa simboliza a resistência histórica de quem luta por reparação e dignidade.
O SINTSEP-PA reafirma que continuará atuando em defesa do serviço público, dos direitos dos trabalhadores e da ampliação da mobilização para derrotar todas as formas de reforma administrativa, seja ela bolsonarista ou lulista, que visem desmontar o Estado e retirar direitos do povo.
(Matéria em atualização)































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