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Alta dos alimentos básicos supera inflação e aprofunda crise do custo de vida em Belém

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

BELÉM (PA) — O bolso do consumidor paraense voltou a sentir o peso da inflação dos alimentos. Levantamento divulgado pelo Dieese mostra que tomate, cenoura e batata registraram aumentos muito acima da inflação oficial acumulada em Belém, que foi de 3,3% nos primeiros seis meses de 2026. Os dados revelam que a alta dos produtos básicos continua pressionando o orçamento das famílias, sobretudo daquelas que destinam a maior parte da renda à alimentação.


Segundo o estudo, o tomate foi o produto que apresentou a maior disparada de preços no período. A cenoura e a batata aparecem logo em seguida, confirmando um movimento de encarecimento de itens essenciais presentes diariamente na mesa da população. Enquanto a inflação oficial avança em ritmo moderado, alimentos indispensáveis acumulam reajustes muito superiores, ampliando a perda do poder de compra.


O fenômeno é ainda mais preocupante em uma cidade onde milhares de famílias convivem com baixos salários, desemprego, informalidade e crescente insegurança alimentar. Para quem recebe um salário mínimo ou depende de programas sociais, qualquer aumento no preço de produtos básicos representa a necessidade de cortar outros gastos ou reduzir a qualidade da alimentação.

Alimentação pesa mais para quem ganha menos

Especialistas apontam que a inflação dos alimentos não afeta todas as famílias da mesma forma. Quanto menor a renda, maior é o impacto. Isso acontece porque trabalhadores de baixa renda destinam parcela significativamente maior do orçamento para a compra de alimentos.


Na prática, quando tomate, batata, cenoura, arroz, feijão e outros itens essenciais ficam mais caros, sobra menos dinheiro para transporte, medicamentos, educação, moradia e lazer.


A consequência é o agravamento das desigualdades sociais e da insegurança alimentar, realidade que voltou a crescer no Brasil nos últimos anos.

Custos elevados persistem na cadeia de abastecimento

Entre os fatores que ajudam a explicar a pressão sobre os preços estão o aumento dos custos de produção, fertilizantes, combustíveis, energia elétrica, logística e transporte de mercadorias.


No Pará, esses fatores são potencializados pelas longas distâncias entre regiões produtoras e centros consumidores, além da forte dependência do transporte rodoviário e hidroviário para o abastecimento da capital.


As oscilações climáticas também têm reduzido a oferta de alguns produtos agrícolas, provocando aumentos frequentes nos preços pagos pelo consumidor final.

Inflação oficial não reflete a realidade das feiras e supermercados

Embora os índices oficiais indiquem inflação relativamente controlada, a percepção da população costuma ser diferente quando os alimentos lideram as altas.


Para quem frequenta feiras livres, mercados municipais e supermercados em Belém, o custo da alimentação aumentou muito mais rapidamente do que outros produtos e serviços.


Essa diferença entre os indicadores gerais e a inflação dos alimentos explica por que muitas famílias afirmam sentir uma perda de renda superior à apontada pelos índices oficiais.

Política de combate à inflação precisa olhar para a mesa do trabalhador

O aumento persistente dos alimentos recoloca em debate a necessidade de políticas públicas voltadas para a segurança alimentar, fortalecimento da agricultura familiar, melhoria da infraestrutura de abastecimento e redução dos custos logísticos.


Sem medidas capazes de ampliar a oferta de alimentos e proteger o poder de compra dos salários, a tendência é que a alimentação continue consumindo uma parcela cada vez maior da renda das famílias.


Mais do que números em planilhas econômicas, a inflação dos alimentos representa um problema cotidiano para milhares de trabalhadores que precisam fazer escolhas difíceis entre manter uma alimentação adequada ou sacrificar outras necessidades básicas.


Enquanto os indicadores macroeconômicos apontam estabilidade, a realidade encontrada nos corredores dos supermercados e nas bancas das feiras de Belém mostra um cenário bem diferente: para grande parte da população, comer continua ficando mais caro a cada mês.


(Matéria em atualização)

Fonte: Dieese

 

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