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Tapajós não é corredor de exportação

Ponto de Ruptura | Análise sem filtros sobre o que o poder tenta silenciar

O caso da dragagem do Rio Tapajós sintetiza, de forma exemplar, um modelo de desenvolvimento imposto de cima para baixo, que articula Estado, grandes empresas e interesses do agronegócio em detrimento dos direitos coletivos, dos territórios tradicionais e da própria Amazônia.


Dragagem do Rio Tapajós - Imagem: Reprodução
Dragagem do Rio Tapajós - Imagem: Reprodução

 

Avançar com uma licitação milionária sem licenciamento ambiental válido e sem consulta livre, prévia e informada às comunidades indígenas e tradicionais não é um erro técnico ou burocrático: é uma escolha política consciente.


O Tapajós nunca foi um obstáculo à navegação dos povos que historicamente vivem de suas águas. A dragagem só se torna “necessária” quando o rio passa a ser tratado como mero corredor de exportação de commodities, a serviço de grandes portos privados e da lógica do agronegócio voltado ao mercado externo. Nesse modelo, o Estado deixa de cumprir seu papel de garantidor de direitos e assume a função de facilitador de interesses privados, enquanto a Constituição, os tratados internacionais e a vida das populações locais são tratados como entraves ao chamado “progresso”.

 

A contradição entre o discurso ambiental do Governo Lula — repetido em fóruns internacionais como a COP 30 — e as práticas concretas no território é gritante. Não se protege um rio planejando sua mutilação. Não se respeitam os povos ignorando a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Não se fala em transição ecológica aprofundando um projeto que ameaça ecossistemas, modos de vida e a soberania das comunidades sobre seus territórios.

 

Diante desse cenário, cresce a resistência dos povos do Tapajós e a pressão para que o projeto seja imediatamente suspenso até que haja licenciamento ambiental regular e a realização de consulta livre, prévia e informada, como determina a lei e como exige qualquer noção mínima de justiça social.

 

A defesa do Tapajós é inseparável da defesa dos povos que o protegem há séculos. Dragagem sem licença e sem consulta é violência institucional. O rio não é mercadoria. A Amazônia não está à venda. Defender o Tapajós é enfrentar um modelo de desenvolvimento que destrói para lucrar — e afirmar, sem ambiguidades, que a vida deve estar acima do mercado.

 

O Tapajós segue vivo — e em disputa.

 

A FAÍSCA: Querem transformar o Tapajós em uma hidrovia exclusiva para o lucro privado, custe o que custar. Você vai assistir em silêncio ao soterramento da nossa biodiversidade em nome do PIB dos outros? A hora de barrar o trator sobre as águas é agora. Organize-se na defesa da Amazônia!


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